As variações
O assunto em torno deste movimento do #Elenão começou com as próprias pacientes, que não puderam se negar a falar de eleições. Como todo assunto leva ao interior emocional dos pacientes, não podemos tentar desviar, negar ou não discutir os aspectos desenvolvidos.Uma das faces do assunto corresponde às dúvidas e questionamentos de uma senhora dos seus 58 anos, casada a mais de 20, com dois filhos. Ela me perguntou o que eu achava do candidato Bolsonaro. Não posso revelar preferências ou repulsas aos pacientes. Pedi que ela expusesse o que sentia em relação a ele.
Esta senhora tem uma filha que colocou na página de Facebook a "hashtag" #Elenão. Até ai estava no terreno de sua manifestação pessoal, e tudo se passou naturalmente. Há uns dias revelou o desejo de fazer uma tatuagem, e discutiu com o pai. E no meio da discussão ela o acusou de autoritário, de partidário de Bolsonaro, e a discussão ficou bem feia, com as frases habituais de "quando estiver mais velha vai entender" ou "quem paga as contas sou eu", etc.
A mãe ficou indignada com a posição da filha, pois não vê nenhuma coisa que desabone o candidato para o cargo de presidente, e principalmente reconhece nele o atributo de FAMÍLIA. Perguntei a ela se o pai é do tipo repressor. Ela negou, ressaltando que o pai deu celular e computador, fazendo recomendações mínimas à filha, e que não fica fiscalizando o que ela faz. Tem ele como um marido bom e pai liberal. A filha, excetuando os momentos em que quer fazer alguma coisa que o pai não concorda, conversa naturalmente com ele.
O segundo caso que quero citar é o de uma jovem de 32 anos, cujo pai se separou da mãe, para morar em outra cidade, com outra mulher, deixando a mãe como "pãe", forma que se descobriu hoje em dia para designar mães que também tem que assumir o papel de pais. Pois bem, a jovem é fervorosa ativista do #Elenão, congregando colegas e amigas para este grupo. Durante a consulta ela foi muito enfática, falando muito, com sua agressividade e sarcasmo naturais, maximizados pelo fato de estar sob o efeito de um "bek" (cigarrinho de maconha), como os jovens chamam. Crucificou o candidato da forma mais brutal possível. Esta moça tem períodos curtos de namoro, que acabam justamente, como ela mesma confessa, pela sua agressividade latente e pelos sarcasmos que faz. Ela se sente mais a vontade entre as amigas do que com os namorados com os quais fica.
Entendendo o movimento
O movimento não se gerou, como dizem, criado pela sociedade. Ele foi criado por uma mistura de sentimentos humanos derivados de uma mistura de fenômenos e variáveis psicológicos exaustivamente discutidos pela psicologia:- Laços familiares;
- Autoridade paterna;
- Afetividade feminina em relação ao homem;
Sem se dar conta, qualquer pessoa é afetada pelos efeitos cumulativos dos "tijolos" colocados durante a sua educação, cada um contendo uma impressão positiva ou negativa.
Começando a explicação, a que figura, contida nesses "tijolos" corresponde a figura do Presidente da República ? Para pessoas com um grau de racionalidade já desenvolvido, o Presidente é uma Autoridade sem vínculos afetivos. Para pessoas com uma baixa racionalidade, imaturas, o Presidente SE CONFUNDE, ERRONEAMENTE, com a figura de pai. E se houver um "ruído" durante a educação da pessoa, no caso, a mulher, em seu histórico de vida, o Presidente pode ser uma mescla de Pai com algum namorado cujo relacionamento foi profundamente negativo. Outros ruídos podem gerar, em uma jovem, uma figura distorcida daquele rapaz que se tornou inatingível para ela, ou por desprezá-la ou por ser muito idealizado para que ela tivesse a coragem necessária para se aproximar dele.
Se enumerarmos todos os casos com os quais tive que lidar, encontraríamos várias outras distorções psicológicas.
Entrando mais a fundo no caso específico, o candidato Bolsonaro tem ingredientes até mais agravantes:
- É militar;
- Tem opiniões muito firmes;
- É direto, sem rodeios;
- É classificado de direitista;
Isto agrava a semelhança do candidato à figura de pai, principalmente para as mulheres e mais profundamente para as jovens.
Mas existe um traço determinante, que, talvez, se não existisse, talvez a figura psicológica ficasse, de certa forma, escondida: o candidato SORRI.
Ora, ora, ora, mas um sorriso não atenuaria os aspectos que já citamos ? Digo a vocês que isto piora os efeitos de uma das figuras que elucidei aqui: a do namorado idealizado.
Muitos homens, para "ganhar" as mulheres, ocultam o "monstro" dentro de si. Escondem um predador que só quer sexo, e que não está disposto a estabelecer laços afetivos. E então utilizam a ferramenta social mais eficaz como escudo de sua própria agressividade: eles sorriem. E fazem muitas vítimas com isto.
Concluindo
Muitas das reações (no sentido de reação, de oposição a uma ação) psicológicas que temos, mesmo quando nos julgamos maduros, expressam reações irracionais originadas na época em que fomos educados, agravadas por circunstâncias sociais, ou de simples oposição, ou de aprovação incondicional das opiniões dos outros. Tenho falado aqui, insistentemente, de OPINIÃO, para que as pessoas procurem ser indivíduos, e não clones sociais, como tenho observado com desânimo.Qual mulher, hoje, teria a coragem de dizer que vota em Bolsonaro ? E o medo do linchamento social ?
Nooooooooossa, é difícil aceitar qqr coisa desse cara. Vamos ter que engolir ? Vou ter q fazer análise. Tõ vendo q tô precisando. Eu não suporto Jair Bolsonaro.
ResponderExcluirMe ajuda, doutora ?
Sempre achei que o Elenão era histeria. Barulho demais por nada. Causa de mulher mal amada.
ResponderExcluirEster, mais um excelente texto. Não vou falar nada pq é do universo feminino, e acho que homem não deve dar palpite.
ResponderExcluir