sexta-feira, 12 de junho de 2015

Raízes históricas, Adão e o crescer sozinho

Seria um indivíduo isolado uma construção possível ? Pensando em Adão, indivíduo solitário por excelência, sem ramo familiar ascendente, portanto sem história (e só deste aspecto vou falar), qual seria a sua forma de ver o mundo do jardim (única perspectiva visível para ele) ?

Entre os indivíduos adotados, a quem é dado conhecer este fato, lá pelos 12 a 15 anos eles revelam a curiosidade de saber a sua origem, geralmente materna. Nisto a +Esther Marduk poderá opinar melhor q eu. Esta origem se encaixa nisto que conhecemos como História ? Podemos existir sem uma memória ?

Ao procurarmos respostas para estas perguntas, poderemos explorar as Raízes Históricas do indivíduo. Comecemos por Adão.

O homem solitário Adão

Adão não sabia ao certo de onde veio. Ele é o único protótipo de indivíduo que poderia dizer que fez a sua própria história pessoal sem influências. Geralmente, da pessoa normal, nascida de pai e mãe presentes, se diz que sua personalidade é mais ou menos metade da mãe e metade do pai. No caso de Adão não podemos dizer isto. Sua educação veio inteiramente das "pistas" deixadas para ele nos seus dias no Jardim. Uma pessoa sem impressões padrão de pai e mãe precisa de fatos marcantes na sua história pessoal para se sentir um pouco definida que seja.

Adão sequer precisava plantar à sua volta para se sustentar, antes do episódio que trouxe sobre ele a lei de tirar seu sustento com o seu próprio suor. Que motivação uma pessoa desta teria ?

Graças ao seu pouco tempo no Jardim, sua curiosidade em descobrir as coisas daquele jardim lhe davam esta motivação. E, provavelmente, quando ela estava acabando, Deus lhe deu Eva. Não precisamos discorrer sobre toda este convívio. Precisamos apenas chegar ao ponto da experiência traumática do casal ter sido repreendido por Deus. Foi esta repreensão, pelo símbolo do Pai, que deu a Adão e sua esposa o FORTE SENSO DE IDENTIFICAÇÃO, pelo qual conhecemos ambos até hoje, passados tantos anos.
Então, sua História Pessoal foi definida e construída sobre este evento. Ser nascido de pai e mãe pode definir nossa origem, mas nunca aquilo que vamos ser. O que vamos ser depende das experiências, geralmente as mais traumáticas, que teremos na vida.

Memória

Pelo exposto anteriormente, é a fixação de eventos determinantes da vida em nossa MEMÓRIA que definem o que nós vamos ser, ou vamos ter como marcos que definem nossas formas de reação perante as situações.

A medicina tem em Henry Gustav Molaison (o paciente M) o modelo do homem sem memória. Submetido a uma cirurgia para acabar com suas convulsões após um acidente, ele teve uma parte significativa do hipotálamo extirpada, impossibilitando-o de formular novas memórias. Ao receber os familiares em seu quarto de uma clínica, ele sempre os cumprimentava como se fosse a primeira vez que os visse. Sua identidade frente à História de seus parentes, parte de sua própria história, era nula.


É preferível ficar com o Mito

Realmente nunca poderemos saber como é a sensação de estar sozinho ao extremo. Nenhum de nós já deve ter parado prá pensar nisto. Já nascemos influenciados, acompanhados, vigiados.

Por exemplo, fico pensando como desenvolver uma personalidade sem pessoas à nossa volta. É como nem estar vivo. A nossa existência precisa ser "confirmada", eu entendo assim. Concordo com a existência de um "Mito Adão". Assim deve ter sido escrito para descrever este tipo de situação.
Como já foi dito, acertadamente, somos o q está na nossa memória. Se a perdermos, é preciso q tenhamos feito coisas significativas para estarmos na memória dos outros. Desmemoriado, eu deixo de ser alguém prá mim mesmo, mas continuo sendo o que fui ou o que sou prá quem se lembra de mim.

A intenção de mostrar o valor da história, a pública, esta escrita para todos, é muito válida. Os jovens de hoje perguntam para que estudar o que aconteceu no passado. O que eu estou vendo crescer é uma massa de gente sem consciência histórica. Eles veem o q está acontecendo hoje na política, e comentam o presente sem conhecimento do que foi feito para nós chegarmos até aqui. E, consequentemente, falam muita bobagem. Basta ler as discussões da Internet, e dos mais variados assuntos. Chegamos ao cúmulo de comentarmos algo da história e vir um tolo falar que o que falamos não existiu.

E concordo inteiramente com a força do mito. Não importa mesmo quem foram estas pessoas, e nem se realmente existiram. Importa é o mito produzido, pois é de elaboração coletiva. Podemos ter até mentiras, mas o que existe, no final, é a verdade coletiva. A massa de pessoas é que propaga aquilo que é será estabelecido como verdade. Não deixa de ser assim. Os que pensam são minoria.

Muitas das revisões que são feitas hoje, por autores que até gozam de crédito, são feitas com o intuito de se opor à verdade inicial. Os alemães fizeram muito isto, por serem um povo que estuda muito todas as áreas do conhecimento, mas em busca de notoriedade. Esta tendência dura até hoje no bordão da National Geographic:

"MAS SERÁ QUE ISTO ACONTECEU ASSIM MESMO ?"

Ultimamente deixei de assistir aos documentários tanto deste canal quanto do History Channel, pois o intuito deixou de ser a pesquisa séria para se transformar em revelações sensacionalistas. Você conversa com alguém instruído sobre alguma coisa já bem pesquisada, como a Bíblia, e vem logo alguém dizer que assistiu um documentário que desmente a visão dominante.

Então, se os acontecimentos ficaram muito atrás no tempo, O MAIS SEGURO É FICAR COM O MITO MESMO.

O poder do MITO

Eu noto o desprezo dos comentaristas, principalmente os ateus, em relação aos Mitos.





Primeiro que ao dizer que algo é Mito, não se está depreciando este algo. Pelo contrário. Se foi estabelecido como Mito, é o mesmo que canonizar um Santo. Nos filmes políticos vemos muito um personagem que está tramando a morte de alguém que está incomodando ser repreendido por um outro que geralmente diz:



"Se você fizer isto, vai transformar fulano em mártir."

Como é o mecanismo de criação do mártir ?

Líder entre os vivos => Morte => Enterro com honras => Aniversários da morte => Divulgação de seus ideais => MITO


Se nesta discussão alguém vem falando que Jesus é um mito, infelizmente não está destruindo a lembrança de sua figura, mas reforçando na mente das pessoas alguém que reúne um determinado número de atributos humanos considerados como ideais.

Nós, os "não mitos" seremos esquecidos, e os Mitos serão registrados na história da psicologia, da biologia, etc.

O Mito, por exceder, pelo seu exagero, qualquer humano comum como nós, se destaca como mais. Vejam o exemplo das companhias petrolíferas. Estas já são um destaque por produzirem o bem responsável pela produção de energia para veículos. Vejamos o caso da Shell, que já está neste ramo privilegiado. Se ela acabar hoje, se transformará num mito por muits anos. Mas a Shell um dia realmente existiu, diriam. Mas eu digo que, no futuro, poderemos ter gente que vai negar sua existência, ou diminuir a sua importância no tempo em que existiu, pois as pessoas estão constantemente fazendo um revisionismo que eu classifico como doentio, pois a negação se transformou numa espécie de poder por parte das pessoas que não realizam nada, ou realizam pouco.


O criticismo e o revisionismo


Hoje, justamente na sociedade da informação e informática, a História de nossos antepassados está sofrendo uma perigosa revisão. Nossa sociedade foi construída sobre determinados mitos, e estes fizeram nossos valores. Todos conhecem figuras simbólicas como "Complexo de Édipo", Calcanhar de Aquiles e outros. Não importa se Édipo ou Aquiles existiram como pessoas, nem o lendário Narciso. Podemos caracterizar as pessoas usando estes símbolos. Eles são mais fortes do que pessoas que existiram, mas não se expressaram com a força necessária para que pudessem ser lembradas (Memória).

Édipo, Narciso, Aquiles, Moisés, Adão, Jacó, e muitos outros não fizeram parte direta de nossas vidas, mas talvez sua existência tenha mais força do que a de primos, tios e outros parentes, que não contribuíram em nada para a nossa vida, por meio de ações significativas.

Tentar desqualificar estes personagens com o rótulo de mitos ou lendas é fortalecê-los ainda mais na história de nossa sociedade, pois superam as pessoas comuns, que só fazem o suficiente para viver, e não contribuem para a História.

Jesus será famoso por muitos milhares de anos, justamente pelo fato de discutirem incansavelmente se existiu ou não. Nisto reside o erro dos humanos mal intencionados. Ao tentarmos destruir um ícone, o número de peças remanescentes só aumenta.



domingo, 7 de junho de 2015

Rede Social - a farsa da comunidade - Whatsapp e outros

Neste artigo mostrarei como as Redes Sociais estão fazendo dos jovens um rebanho que segue um pastor de palha.

O fato e a investigação surgiu da queixa dos pais de que seus filhos já não estão tão presos à família. As consequências aparecem na chamada "delinquência juvenil". Os "rolezinhos" em Shoppings, ou os "rolês" com sexo e drogas em residências, substituíram as reuniões sadias para conversa, violão e comilança.

Se houve uma mudança em relação ao passado, é óbvio que deve ter surgido um agente de transformação. É como é nossa suposição, tal agente se expressa nas ferramentas de Rede Social:

- Facebook (comentários)
- Whatsapp (mensagens)
- Youtube (debates)

Mas como os adolescentes são mais imediatistas, temos que focar nos "instant messengers". O Whatsapp é a expressão máxima de um dispositivo deste tipo. Ele é portável, acompanha seu usuário para todos os lugares que ele vai. Por si só, é um companheiro com o qual o jovem não conversa, mas possibilita o contato onisciente com um grupo, como se fosse um deus (totemização celular).

Antigamente, como eram os vínculos, e quais eram as expectativas. Os vínculos se restringiam ao território bem material da casa. Os objetos de afeto eram irmãos e vizinhos. A expectativa era a chegada de fins de semana ou feriados, para se divertir com os vizinhos.

Hoje, os territórios são virtuais. O vizinho virtual pode estar no outro bairro, cidade ou até país. Ouve-se de jovens e até mais velhos: "hoje é fácil ter amigos com a Internet". Mas estes são realmente amigos, no sentido radical do termo ?

O amigo está sempre próximo o suficiente e em tempo satisfatório quando se pode observar um conjunto de seus atos e expressões para fazer a comparação com nós mesmos. Um amigo de Whatsapp, tão somente, já peca na parte de observação de atos. Ele pode falar mil maravilhas da vida e de si mesmo, mas seus atos é que vão torná-lo uma escultura genuinamente humana.

Pessoas que digitam frases no celular, com grande desenvoltura, estão tendo dificuldades para se exspressar verbalmente. Como se explica isto ? Seriam as abreviaturas, ou o fato de substituir a língua pelo dedo ?

Uma das ilusões mais perniciosas que o Whatsapp dá é a de fazer com que, com um celular na mão, a pessoa se sinta "acompanhada" de um grupo. SE a qualquer momento ela pode chamar um usuário do serviço, podemos considerá-lo quase onipresente. E isto vale em ambos os sentidos, do usuário para o amigo, e do amigo para este usuário.

Mas o que isto tem a ver com o respeito aos pais ? No que dissemos valer para antigamente, em que havia uma espera e uma forte limitação territorial (a casa, os vizinhos) estava inclusa uma "permissão necessária para extrapolar os limites geográficos". O pai ou a mãe não deixavam o filho sair de casa, e não saindo o contato não era possível. Os amigos só adentravam a casa pela porta. Mas hoje eles "entram" pela telinha do celular. E nesta telinha pode-se falar e MOSTRAR de tudo.

Em outras palavras, a territorialidade administrada pelos pais foi rompida pelo contato virtual. O celular se tornou a porta para entrada de conhecidos e desconhecidos.

Mas esta atividade traz realmente malefícios ?

Os exemplos estão aí, para quem quiser experimentar. Meninas de 11 anos que filmam a si mesmas nuas, para o namorado eventual, costumam ter suas filmagens espalhadas pela Internet quando o namoro acaba. Conquistas virtuais costumam acabar em corpos de mulheres desovados em matagais. Homossexuais "abduzidos" por um "amigo" sociopata costumam ser achados mortos. O "amigo" vai conquistando a confiança da pessoa até conseguir levá-lo a uma armadilha homofóbica.

Em alguns casos o usuário, no caso feminino e jovem, costuma chegar ao suicídio, depois de ver sua imagem amplamente divulgada na sua exposição total.

O que as autoridades podem fazer ?

Se não se pode imputar a responsabilidade ao menor, que pelo menos seja garantida a identidade, e isto com números de documentos, para identificar os agressores e aproveitadores. É preciso que seja exigido o CPF ou RG de quem vai usar o serviço.

No mais, fique atento, jovem ou velho, ao uso desta comunidade virtual.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Os arquétipos da Bíblia

A maior parte dos arquétipos radicais da raça humana veio da Bíblia:

Eva - Símbolo de voluntariosa, ansiosa, que vê o destino bem a frente;
Árvore da Vida - os segredos, o encoberto, a ciência.

Na árvore quero fazer um parêntese. Dar vazão à nossa curiosidade, como a de Eva, nos leva à ciência. E que ciência Eva abriu para todos nós ? Aquela que pode trazer o bem mas também desviar para o mal. Dois caminhos. A faca de dois gumes.
Por isto, quando o homem fala muito de estar de acordo com a ciência, de suas leis, do valor das descobertas humanas, a nossa classe (dos psicólogos), junto com os sociólogos, fica de orelha em pé.
Descobriram a radioatividade ? Está muito bom. Uns pensam em uma usina de energia atômica, mas outros pensam na bomba.

Eva ainda é a ideia da mãe. Mas nunca foi a ideia da mãe terra, como os "holísticos" colocaram. O Sol, que devia ser o astro principal para adoração, foi suplantado por ... Urano. Uma das primeiras cidades tem em seu nome a raiz para o nome deste planeta "Ur", na Mesopotâmia antiga.

Caim e Abel - Símbolo da inveja, e não do irmão maior q mata o mais novo.

A Queda de Adão e Eva - desobediência. Não tem nada a ver com sexo. O fruto não é a maçã e nem o sexo. Apesar de gênio, até os colegas de Freud repudiaram este excesso de ver em tudo a motivação sexual, e fundaram correntes de pensamento psicológico em separado.

Só estas primeiras ideias estão arraigadas de tal modo no ser humano, que seriam necessários milênios para desfazê-las. Mesmo sem a Bíblia, o homem teria o impulso de dominar a mulher, pela força física apenas. Sem princípios morais, nos iríamos regredir aos dispositivos mais primitivos de nossa psiquê.

Imagine a situação em contrário, da dominação feminina. A mulher iria à guerra, expondo sua madre à destruição. Que filhos poderia o homem, deixado em casa,. dar ? A natureza se encarregou de colocar na mente do homem a ideia defensiva em relação às mulheres. Não tem machismo nem misoginia. Culpe a natureza, caro leitor, e eu te apoiarei em qualquer tribunal do mundo. SOBREVIVÊNCIA da raça. A natureza é que coloca na nossa mente os arquétipos e dispositivos para fazer multiplicar e garantir a Sobrevivência da espécie humana.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Freud e a figura de Pai

De Freud podemos dizer com segurança que foi um gênio.

Mas principalmente os gênios tem os seus desvios de conduta, de personalidade, transtornos obsessivos e traumas de infância. O pai da psicanálise também adquiriu traumas de infância, notadamente de RELACIONAMENTO COM O SEU PAI, que influíram nos argumentos que ele utilizou em seus trabalhos relacionados à Autoridade.

Esta linha investigativa foi seguida pela autora do livro "Porque Freud rejeitou a Deus" (Ana Maria Rizutto). 

Explicando, primeiramente, o mérito do trauma, mencionamos um dos grandes problemas da psicologia, do qual Freud não pode escapar. A psicologia tem como estudioso o próprio objeto de estudo. Em outras palavras, temos um homem (psicólogo) estudando a mente humana. O estudioso não tem como não ser subjetivo, filtrando as próprias emoções da mente pelas suas emoções.

O argumento de Rizutto

Freud ganhou uma Bíblia de presente de seu pai, em três volumes, com 500 ilustrações que se referem ao texto. Em uma exposição denominada "Antiguidades de Freud". A maior parte desta coleção evoca antiguidades relacionadas ao texto bíblico. Ao constatar tal coisa, a autora diz:

Seguindo o método de investigação do próprio Freud, explorei as circunstâncias de seu colecionamento, o significado pessoal explícito dos objetos, seus prováveis motivos inconscientes e a satisfação consciente que os objetos proporcionavam ao seu proprietário (p. 13).

A tese de Freud em relação à religião é que:

a religião perpetua a ilusão infantil de estar protegido por um pai bondoso levou-o a uma busca de libertação desse anseio considerado, por ele, como infantil.

Isto bem parece com o conflito dos adolescentes, quando estão tentando se desligar dos valores transmitidos por seus pais, sejam quais forem. É a idade da confrontação, os jovens dão o contra em tudo.

A partir desta afirmativa de Freud, a autora passou a pesquisar quais fatores psíquicos levaram Freud a converter a sua ideia de um Deus que merecia ser louvado e pregado para aquele que agora, quando adulto, ele acusava a ser o produtor (é preferível dizer mantenedor) de ideias infantis.

Freud, como muitos jovens judeus alemães, teve muita dificuldade em produzir uma relação afetiva com o seu pai. Ao unirmos a reverência e seriedade judaicas com a frieza e dureza germânicas, obtemos uma figura de pai quase inacessível aos filhos.

A autora então prossegue em suas conclusões:

a dor da pequena criança [de Freud quando criança] levou à insistência veemente em que todos devemos desistir de um Pai-Deus, incapaz de proporcionar qualquer proteção ou consolo. O sofrimento pessoal de Freud se tornara articulado em sua teoria sobre a religião para toda a humanidade. (…) Sua descrença desafiadora expressava a dimensão de sua integridade psíquica e também de sua coragem e de sua capacidade de sublimação: transformar o profundo sofrimento da criança e do adolescente numa nova ciência que abriu os horizontes inexplorados da mente humana. Deus fora substituído pela razão de Freud. O homem desprotegido criara sua própria autoproteção” (p. 252).

Freud transformou uma experiência pessoal em norma para todos os homens, produzindo uma geração de jovens magoados e descrentes em Deus.

O que Deus evoca nas pessoas

Existe uma parcela da população, que expressa suas ideias em redes sociais, cuja ideia de Deus é de uma muleta para as fraquezas humanas. Elas dizem que a Religião é a ferramenta para os fracos, que precisam da ideia de um ser superior, capaz de preencher as "lacunas" existentes neste tipo de pessoas.

A explicação de Rizutto pode se aplicar a esta faceta do problema. O que buscam estas pessoas em Deus para preencher estas "lacunas" ? Se relacionadas com o pai, como diz a autora, já identificamos pelo menos a natureza das mesmas: afeto, sensação de pertencimento, autoridade compreensiva. Mas e os que não procuram, ou que acham que não existe em seu próprio ser estas lacunas ? São eles bem resolvidos ? Não necessariamente. Nestas lacunas pode se esconder a MÁGOA. Nossos traumas psíquicos geram, inevitavelmente, a mágoa. Se esta não existisse, seria muito fácil perdoar as pessoas que nos tenham ofendido.

Se aplicarmos o exemplo de Freud, a contraprova confere. No fundo Freud tinha mágoa de seu pai. Associando as imagens que evocavam esta mágoa na Bíblia que seu pai havia lhe dado, o presente substituíra o seu doador: o Pai. E como a Bíblia evoca a lembrança de Deus, a associação estava feita. Freud transferiu a mágoa paterna para Deus.

O Deus maldoso

Ainda existe uma outra forma de associação possível neste horizonte Freudiano de possibilidades. O leitor da Bíblia pode ficar magoado com as múltiplas mortes que ali são citadas. E o motivo alegado ? O pecado. Ora, o indivíduo, imbuído deste espírito adolescente, que só diminui, mas não morre, pergunta a si mesmo: "mas que pecado ? Não existe nenhum pecado. Deus diz que meu sofrimento nesta vida, e de outros que me antecederam é fruto do pecado ?"

Quando o indivíduo não consegue aceitar este motivo para seu sofrimento e angústia, tão humanos quanto comer, dormir e respirar , ele desenvolve mágoa contra Deus. E para não revelá-la, ele simplesmente nega o acusador: Deus. É mais fácil.

É melhor MATAR o acusador do que enfrentar a ACUSAÇÃO.

O futuro 

Hoje, com esta geração altamente contestadora e revisionista que está sendo educada com um mundo de informação oriunda de gente também revisionista, estamos produzindo uma massa de espécimes para experimentação, ou seja, vamos ver quais resultados sociais esta geração vai produzir, sendo tão livre, tão sem limites. 



sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Da Intenção até o Ato - De bem intencionados o Inferno está cheio

Existe um ditado antigo que diz:

"De bem intencionados o Inferno está cheio"

Nosso objetivo neste artigo não é mostrar o sentido do ditado, nem se está certo ou errado. Queremos apenas mostrar a cadeia de impulsos humanos que levam o indivíduo a caminhar por este túnel que vai da intenção ao ato.

Para demonstrar nosso objetivo, contaremos com o auxílio da figura a aseguir:



Manutenção do ser/sobrevivência

O homo sapiens pode se jactar de ser o que de melhor existe entre as espécies, mas jamais deixa de ser um animal. Ele apresenta anseios dos mais nobres aos mais extremamente perversos, como atestam os nossos telejornais. No mais íntimo de nossos mecanismos internos de vida existe o inexorável MEDO. E o tempo todo temos uma parte de nossa consciência que nos avisa constantemente de possíveis AMEAÇAS.

Nossos Medos e a consciência de que existem Ameaças potenciais ao nosso redor compõem a nossa ideia subconsciente mais dominante e pela qual lutamos constantemente: nossa SOBREVIVÊNCIA. Esta ideia é a conexão entre o nosso CORPO e a nossa MENTE. Fazendo uma experiência hipotética, se não tivéssemos um corpo que pudesse ser prejudicado por agentes externos, não teríamos Medos e nem sentiríamos que estamos sendo Ameaçados. O Sofrimento para quem tem um Corpo é o sentimento de DOR física.

E, para evitar esta DOR, o indivíduo acostuma a fazer avaliações do ambiente, adquirindo cada vez mais conhecimento de situações em que ela possa aparecer e incomodar. E dependendo do grau de conhecimento que a pessoa adquire em relação às possíveis ameaças do ambiente, que podem influir no seu instinto de Sobrevivência, as respostas do indivíduo para a sua CURIOSIDADE podem ser atrasadas ou completamente bloqueadas, influindo inexoravelmente sobre as suas INTENÇÕES.

Como um "parente" da Sobrevivência e da Curiosidade, temos o Sexo, esta função ora Reprodutiva, ora representante do prazer carnal. Sua representação aqui está submetida às etapas intermediárias até o ATO, mas em certas condições, e em certas pessoas, e em certas épocas, ele pode se apresentar como a seguir:


O Sexo pode ser classificado tanto como fator aparentado da Sobrevivência (manutenção da espécie) como Curiosidade (experimentar algo novo) como busca pelo Prazer carnal. Não importa, aqui, classificá-lo corretamente, até porque é uma das forças mais enigmáticas da natureza, mas apenas mostrar que, em certas situações, ele pode transpor as duas barreiras da Ética, e se consumar de forma pouco razoável.

Intenção

Se uma necessidade de Sobrevivência ou um contexto de novos conhecimentos ou desconhecido provocar o estado Consciente em uma pessoa (Curiosidade), temos a próxima etapa de estímulo do ser humano. No entanto, ainda podem surgir inibições, no caso da Curiosidade, relacionadas às possíveis ameaças que esta nova situação possa sugerir ou acarretar.

Não havendo inibições, ou sendo o grau de Curiosidade elevado o suficiente para superá-las, a etapa de Intenção é atingida. Esta etapa precisa superar uma barreira muito comum nos ser humano: a PREGUIÇA. Ela é classificada no senso comum como um dos "pecados capitais". Caso não existisse, vencidas as inibições da ética e avaliações de risco, e o indivíduo partiria para o ATO sem titubear.

Vejamos a frase de Santo Tomás de Aquino a respeito da Intenção:

"A intenção designa um certo ordenar-se ao fim [ATO]. Ora, ordenar é próprio da razão. Logo, a intenção pertence a esta e não à vontade."

A Intenção, segundo ele, submete-se à Razão, pois existe uma série de pesos e medidas de que a mente toma conhecimento e aplica para dizer "estou querendo fazer isto". Mas pelo que Santo Tomás coloca, o QUERER já aponta para ATO, mais que Vontade. Ele considera que vislumbrar o Ato já tem em si embutida uma Ordem.

Então, na forma de pensar de São Tomás, a Intenção já é quase que uma Decisão tomada, diferentemente do exposto em nosso modelo. Colocamos a opinião dele aqui para que o leitor compreenda que estamos sendo, de certa forma, flexiveis em nosso ponto de vista.


Decisão

Uma vez que a Intenção foi achada com suficiente concordância entre Intenção e Ética Local, o indivíduo pode tomar uma Decisão. CADA UM DE NÓS É O JUIZ DE SUAS AÇÕES. Existe a Ética Local, resultante das Leis do país ou do Estado (como no caso americano), Costumes e Tradições. Todo indivíduo com consciência é imputável em relação às suas decisões, pois as vizinhanças em torno de si VIVEM PROPALANDO O QUE É CONVENIENTE OU NÃO. Somente problemas mentais, que afetem o estado de consciência podem fazer com que o indivíduo salte esta etapa, ou a faça com base em impressões, e não raciocínios decisórios.

ATO

Esta é a etapa nobre e produtiva do que começou como uma Necessidade ou Curiosidade perante um contexto estimulante. É a fase que, havendo a disponibilidade de forças do aparelhamento biológico, o indivíduo perpetra a ação. Não há muito o que expor sobre algo tão objetivo.

Preguiça

Quando se diz que o que nos caracteriza são nossos Atos, isto já é uma medida do nosso grau de preguiça. Um grau alto de preguiça paralisa a transição entre Intenção e Decisão ou entre Decisão e Ato.

Primeiro Ato

Quando um ATO está sendo executado pela primeira vez, as fases de superação da Intenção e da Decisão ficam prejudicadas, a primeira pela falta de Conhecimento necessário, e a segunda pela falta de uma Ética já elaborada para tal situação.

Relembremos o caso da Bomba Atômica. O fator escolhido como predominante se baseou na Ética do Menor Prejuízo, ou seja, se não fosse aquela medida de extrema força, a Guerra no Pacífico estabelecida na Segunda Guerra Mundial, provocaria um número de mortes muito maior do que as contabilizadas na explosão da própria bomba em si.

Ou seja, para o Primeiro ATO de uma espécie, é preciso definir uma Ética de momento, em meio a uma crise. Convocar um grupo de trabalho internacional para definir a ética de um Ato que só teria um bom efeito se garantido o segredo absoluto é uma enorme contradição.

Conclusão

Pela complexidade dos eventos que precedem um ATO, o homem consciente não tem como dizer que não sabia o que estava fazendo.
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Bibliografia:
An Introduction to Psicology - James Rowland Angell
Introdução ao Estudo da Psicologia - Ana M.B. Bock, Odair Furtado e Ma. de Lourdes T. Teixeira









terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As gerações 80 e 90

O Brasil tem uma história própria muito curta.

Somos uma nação realmente independente somente após a posse do famoso presidente Prudente de Morais. Como este tomou posse no fim do ano de 1894, odemos dizer que a real história de nossa República, e portanto do Brasil como "indivíduo", sótem 119 anos.

Estes 119 anos não são nada se comparados aos 2041 anos da Europa ( considerando o nascimento do Império Romano apenas, pois levou a administração a todos os pontos do império no Continente Europeu). Se compararamos este dado com os 5774 anos de existência do povo hebreu, a coisa fica muito mais significativa. Somos um país recém-nascido.

República e nação

Uma República só se consolida verdadeiramente se for constituída por um povo que, em si, seja uma Nação. Uma Nação se constitui de um povo que tem costumes culturais, rituais, ideais e heróis consistentes. Os hebreus, como um povo, levaram estes 4 requisitos ao ponto de torná-los conhecidos pelo mundo inteiro. Os americanos cultuam seus heróis, tanto os reais de sua história quanto os da ficção, de forma sólida e efusiva, Estes heróis desua ficção se espalharam pelo mundo inteiro por intermédio das histórias em quadrinhos.

E o Brasil ? Perguntamos.Quais são os nossos heróis ? Quais são os nossos ideais ? Encontramos alguns costumes, mesmo assim copiados ou adaptados dos nossos colonizadores portugueses, no Nordeste. No Sul os costumes são, em grande parte, herdados dos italianos e alemães.

Na parte mais desenvolvida do Brasil, o Sudeste, os costumes são, em sua maiioria, herdados dos americanos. Ultimamente, estamos importando o Halloween, o Black Friday, a música Country forçadamente hibridizada com a música sertaneja, numa mistura indigesta e de baixíssima qualidade. Talvez por este motivo faça tanto sucesso. Os produtores musicais tem um ditado que diz: "se uma música for ruim, basta colocar para tocar até que o povo comece a achar que ela é boa". Deve ser por isto.

Como diria Renato Russo, QUE PAÍS É ESSE ?

Nosso modelo previdenciário é cópia deslavada do modelo americano. Os nossos padrões de roupa informal são americanos, bem como o modelo de Shoppings.

Através da informatização, os modelos visuais e os padrões de uso incorporam criações americanas oriundas da Microsoft e IBM. Somos um gigante industrial que não tem sequer uma marca de veículo nacional. Somos escravos de marcas como Chevrolet, Ford e Volkswagen.

O material humano

Deve ser pelos motivos anteriormente apresentados que a geração de brasileiros nascidos nos anos 80 e 90 tem se apresentado tão duvidosa em suas aspirações, ideais, comportamentos e em comprometimento.

Um dos indicadores de consciência em relação a si próprio é o de incidência da AIDS. Lembrem-se das numerosas campanhas e da massiva onda de informação em torno da prevenção, estamos vendo os índices de contaminação por AIDS aumentarem entre os jovens (nascidos em finais dos 80 e nos anos 90). Imaginem, algo que era uma praga mortal, e que assustou artistas e pessoas de vida sexual um pouco mais ativa que o normal, agora é simplesmente ignorado pelos jovens. Será que é por causa do coquetel que CONTROLA a doença ? Será que a doença que tem cura pode ser experimentada livremente ?

Algo semelhante ocorre na educação. Hoje não existe aquela dificuldade de acesso à escola e ao material escolar dominante antes dos governos populares. São muitos os programas educacionais para colocar quem não tem muitos recursos em uma escola, e muitos são os incentivos sociais para manter os alunos na escola.

O que trouxe o estado de bem-estar

Mas como os alunos vem reagindo a este bem estar social e escolar ? Foi uma enorme coincidência a tecnologia ter dado à esta nossa época o celular, e junto com ele a possibilidade de se ter a Internet nas mãos. O resultado foi a abertura de um canal de conexão com a rede mundial de computadores de dentro da sala de aula.

E como este bem estar não vem necessariamente acompanhado de boa educação, os alunos, muito mais estimulados pela comunicação social do que pela motivação ao estudo, passaram a ignorar o conteúdo dado em sala de aula, e se dedicar mais aquilo que lhe dá prazer.

Futuro ? Para que pensar nele se o Estado Brasileiro vem facilitando tudo para o estudante, com programa Jovem Aprendiz, Bolsa Escola, Poupança Jovem, Bolsa Escola, PRONATEC, ENEM para entrar diretamente na faculdade de acordo com a nota, cotas para minorias e outros dispositivos ?

E se não conseguir evoluir nos estudos, pelo menos a comida está garantida em casa pelas Bolsas e Vales governamentais. Jovens que foram às ruas pedir reformas e fim da corrupção, entre outras coisas, não podem fazer nem a sua obrigação, que é ESTUDAR.

Formação Acadêmica

Os sinais da má formação estão patentes e registrados. Basta ver como os estudantes escrevem e argumentam mal na Internet no Facebook, Youtube e blogs. Os argumentos são apoiados no senso comum, citando apenas fontes jornalísticas (e não periódicos e livros) e de baixíssima complexidade. As construções frasais de universitários são pouco mais desenvolvidas do que a dos alunos do ciclo básico. Fatos brotam da cabeça dos estudantes sem apoio na realidade dos conhecimentos gerais. Mesmo com todo o Universo da Internet disponível, eles não se dão ao trabalho de pesquisar pelo menos 3 fontes sobre aquele fato em evidência. As comparações são confusas e mal relacionadas. As conclusões são lineares (uma causa, um efeito).

E o pior são os erros de escrita. A gravidade está em não conseguir usar a língua materna e de uso cotidiano. Escrever é o MÍNIMO exigido.

Como resultado no Mercado de Trabalho, as empresas já consolidadas procuram profissionais das áreas de Engenharia, Informática e outras áreas das chamadas Ciências Exatas, mas tem que segurar seus projetos na etapa teórica, por não conseguirem pessoas de confiançacom quem possam celebrar seus contratos. A legião de novos vem bem arrumada, bem "armada" de notebooks a tiracolo e tablets nas mãos, mas no principal, que é sua apresentação profissional intrínseca, não oferecem o mínimo grau de maturidade e credibilidade para poder levar a cabo os projetos.

Conclusão

A situação só vai mudar com o endurecimento das exigências em relação às instituições de ensino, que teimam em ter em seus portfólios cursos não reconhecidos pelo MEC, e em relação aos alunos, para se portarem como futuros profissionais, e não como se estivessem em um parque de diversões acadêmicas.

Também os critérios de cessão de benefícios aos estudantes terão que ser mais abrangentes e eficientes em relação ao critério RESULTADOS, para que os estudantes deixem esta zona de conforto em que se acham, por terem feito da Universidade seu ponto de encontro e local de Rede Social Presencial.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Olhando o que você não vê - Como produzir alunos melhores

Visando resgatar um pouco do raciocínio cognitivo dos jovens, frente a situações muito abstratas que surgem em seus estudos, resolvemos buscar uma situação que os aproximasse de verdades que já conhecem, mas que nunca descreveram e nunca compreenderam de uma forma mais "visível".

O jovem ainda guarda muito do Raciocínio Concreto que dominou até os 12 anos. E isto pode se prolongar até idades muito avançadas, caso o seu lado intelectual não seja estimulado. Influi também neste cenário a sua convivência e o seu grau de ceticismo.

Matérias como Matemática, Física e Química são verdadeiros suplícios para os alunos, e esta situação piora para aqueles que não tem nenhum interesse por filosofia. O aluno nesta fase só acredita no que pode tocar, no que pode ver, e é incapaz de fazer abstrações. A única que faz, com anomalias, é o amor e o afeto.

Portanto, vamos usar uma situação comum em família. Veja a figura abaixo:


Todos sabem que socialmente o Pai tem Autoridade sobre o seu Filho. Esta Autoridade não é visível a olho nú, mas tão somente pelos seus efeitos sobre o comportamento. Percebe-se, e para isto é preciso maturidade, que o Filho obedece o Pai (mesmo torcendo a cara, ficando irado ou reclamando).

E o filho tem uma Vontade, e é preciso ter mesmo uma, para poder manifestar a obediência e poder conduzir sua vida. Parte da Vontade é encarregada de exercer uma Autoridade sobre si mesmo. É aquela "voz interna" que diz: "faça isto", "é melhor não fazer aquilo", "cuidado". Mas esta voz interna não é aquela realmente audível que os psicopatas dizem ouvir.

Pessoas sem Vontade são um peso para a sociedade, e exigem intervenção constante, portanto a Vontade, mesmo dos jovens é desejável e importante.

A Autoridade como um Campo

A quantos metros ou quilômetros vai esta Autoridade ? O Filho adolescente viaja do Brasil para Miami. São milhares de quilômetros de distância. Será que a autoridade deste Pai consegue atravessar o oceano e chegar até lá ?

Vejam, a Autoridade é como um Campo de Força, invisível e de longo alcance. No caso humano, o que torna este Campo numa realidade é a nossa memória, um pouco mais palpável, mas ainda abstrata, pois a sensação de Autoridade é uma soma de:


  • Rosto do pai;
  • Voz do pai;
  • A ordem dada;
  • O local onde a ordem foi dada;
  • O momento em que a ordem foi dada;


Na Física

Os paralelos deste "Campo de Força" na Física são os Campos Elétricos e os Campos Magnéticos. Se o aluno compreender o exemplo anterior de Autoridade, que age à distância, vai poder compreender os Campos de natureza física, invisíveis mas reais, com mais facilidade.

O Cientificismo é algo ambíguo, pois ao mesmo tempo que nos aprisiona nos cinco sentidos, convenciona e enuncia Princípios que são "provados" em circunstâncias limitadas.

Nós nunca vimos uma onda, mas o seu Princípio funciona, na maior parte das circunstâncias, a contento. Nossos aparelhos de TV, Rádio, WiFi, Celular e GPRS falham quando temos influências externas ou cargas excessivas.

O que fazer ?

Não vamos falar da Filosofia da Ciência, pois nosso alvo é o aluno de nível básico e médio (o de nível superior deve ter raciocínio abstrato suficientemente amadurecido por obrigação).

Já que neste nosso tempo já temos um arcabouço de Princípios Científicos estabelecidos, podemos dizer que aos cinco sentidos básicos do seu corpo humano devem ser acrescentados estes Princípios já consagrados, sob pena de se ficar "Redescobrindo o Fogo" a cada novo problema proposto.

O aluno deve estar preparado para aceitar coisas como a dupla natureza das coisas - matéria e onda - sem se mostrar cético. Não podemos nos expor ao risco de voltarmos à Idade da Pedra.

Mas é o futuro ? Que outras manifestações na natureza podem surgir , sem que ocorram as piadas e gozações com que, por exemplo, Guglielmo Marconi teve que lidar, quando fazia seus experimentos com o Telégrafo sem fio ?

O que dizer quando temos uma geração que coloca tudo como Teoria da Conspiração, duvidando de etapas que já vencemos, como:


  • Biologia Molecular;
  • Conquista da Lua;
  • Fissão do Átomo;
  • Mecânica Quântica.


Já tivemos a experiência de mostrar a Biólogos, Químicos e Engenheiros Químicos filmes resultantes da observação da célula pelo microscópio eletrônico, e eles duvidarem de sua autenticidade. Temos jovens nas escolas que acham que o homem não foi à Lua, no entanto juram que existem ETs. Como pode ?

Se esta tendência prosseguir desta forma, o Ministério da Educação terá que restringir cada vez mais os conteúdos polêmicos dos currículos escolares, para se enquadrar na condição de Politicamente Corretos.

Causas

A primeira causa que podemos citar é sempre a preguiça, mãe do comodismo e avó do conformismo. O ser humano ACHA que já chegou ao ápice do desenvolvimento tecnológico, pois carrega no bolso um aparelho capaz de conectá-lo a tudo o que acontece no mundo (e mundo no sentido internacional mesmo).

A segunda causa é o Youtube, com teses desenvolvidas por leigos, loucos, pessoas a procura de fama, gozadores, frustrados e esquizofrênicos. O Youtube tem o "mentido" e o desmentido, teorias de conspiração, montagens, e uma enorme legião de medíocres precisando de aplauso.

A terceira causa é uma geração que só se alimenta do visual e adora "videocassetadas", videogame e pornografia. Entre em um fórum de blog, Youtube, Yahoo respostas e você vai verificar como é baixo o nível de conhecimento e de argumentação da esmagadora maioria das pessoas. Em algumas se vê claramente problemas de dislexia, falta de raciocínio, analfabetismo, dificuldade de expressão e dificuldade de argumentação.

No ENEM também transpira toda esta decadência da argumentação e da lógica. Ele mostra de forma cabal que devemos temer pelo futuro da administração de nosso país.

Teoria da Complexidade

O enunciado desta teoria vai explicar tudo:

"A complexidade do mundo real – dos objetos e fenômenos da natureza – só pode ser compreendida a partir de uma perspectiva multidimensional (em lugar de unidimensional e fragmentada) e que tenha em vista as incertezas e incompletudes de todo o conhecimento".

(Edgar Morin)

Ele complementa e diz que:

"a perspectiva de complexidade considera, na compreensão do mundo real, a ordem, a certeza e a
regularidade tanto quanto a desordem, a incerteza, as não-regularidades
"

É a parte das incertezas e não-regularidades que menos agrada aos racionalistas ortodoxos. A insistência quanto ás provas racionais impede o vislumbre da complexidade e reflete a insegurança dominante na sociedade.

A Solução

O aluno sempre se desenvolve aquém do previsto e esperado em relação aos conteúdos escolares. Então não se trata de restringir o currículo, mas expandí-lo cada vez mais. E uma das matérias que possibilita ao indivíduo a pura especulação como exercício é a filosofia.

A Ciência veio da Filosofia, da especulação sem limites e nem preconceitos. Devemos imaginar que somos capazes de fazer carros voadores, aviões sem asa, transmissão de informação e movimentação por energia mental, telepatia, e tudo o que possa EXCEDER NOSSO PATAMAR CIENTÍFICO ATUAL.

Não podemos dar a nenhuma situação o veredito de IMPOSSÍVEL sem exaurir completamente a especulação e a experimentação tanto mental quanto física.

Conclusão

O potencial humano é muito grande, e não chegamos ao fim de nossa capacidade. Não devemos ficar satisfeitos com nosso sistema de telefonia, pois ainda deixa muito a desejar em termos de disponibilidade. Não devemos ficar satisfeitos com nossos veículos, pois nossos motores ainda liberam muito gás carbônico. Não devemos nos satisfazer com nossas roupas, pois provocam um gasto muito grande de água e produtos para limpeza.

Não devemos nos satisfazer principalmente com a Medicina, pois ela é ainda muito invasiva. Perdemos muitas vidas com pragas, doenças e com uma sociedade que produz grande quantidade de inválidos, tanto psicológica quanto fisicamente. Podemos nos dar por satisfeitos quando constatamos a grande quantidade de pessoas morrendo na África, vítimas de doenças transmitidas por insetos ? Por que ainda não existe uma cura para o resfriado ? Por que não existe conserto para a coluna vertebral rompida ?

Devemos ir a fundo nas coisas, e não achar que nossa Ciência atual é grande coisa.