O fato e a investigação surgiu da queixa dos pais de que seus filhos já não estão tão presos à família. As consequências aparecem na chamada "delinquência juvenil". Os "rolezinhos" em Shoppings, ou os "rolês" com sexo e drogas em residências, substituíram as reuniões sadias para conversa, violão e comilança.
Se houve uma mudança em relação ao passado, é óbvio que deve ter surgido um agente de transformação. É como é nossa suposição, tal agente se expressa nas ferramentas de Rede Social:
- Facebook (comentários)
- Whatsapp (mensagens)
- Youtube (debates)
Mas como os adolescentes são mais imediatistas, temos que focar nos "instant messengers". O Whatsapp é a expressão máxima de um dispositivo deste tipo. Ele é portável, acompanha seu usuário para todos os lugares que ele vai. Por si só, é um companheiro com o qual o jovem não conversa, mas possibilita o contato onisciente com um grupo, como se fosse um deus (totemização celular).
Antigamente, como eram os vínculos, e quais eram as expectativas. Os vínculos se restringiam ao território bem material da casa. Os objetos de afeto eram irmãos e vizinhos. A expectativa era a chegada de fins de semana ou feriados, para se divertir com os vizinhos.
Hoje, os territórios são virtuais. O vizinho virtual pode estar no outro bairro, cidade ou até país. Ouve-se de jovens e até mais velhos: "hoje é fácil ter amigos com a Internet". Mas estes são realmente amigos, no sentido radical do termo ?
O amigo está sempre próximo o suficiente e em tempo satisfatório quando se pode observar um conjunto de seus atos e expressões para fazer a comparação com nós mesmos. Um amigo de Whatsapp, tão somente, já peca na parte de observação de atos. Ele pode falar mil maravilhas da vida e de si mesmo, mas seus atos é que vão torná-lo uma escultura genuinamente humana.
Pessoas que digitam frases no celular, com grande desenvoltura, estão tendo dificuldades para se exspressar verbalmente. Como se explica isto ? Seriam as abreviaturas, ou o fato de substituir a língua pelo dedo ?
Uma das ilusões mais perniciosas que o Whatsapp dá é a de fazer com que, com um celular na mão, a pessoa se sinta "acompanhada" de um grupo. SE a qualquer momento ela pode chamar um usuário do serviço, podemos considerá-lo quase onipresente. E isto vale em ambos os sentidos, do usuário para o amigo, e do amigo para este usuário.
Mas o que isto tem a ver com o respeito aos pais ? No que dissemos valer para antigamente, em que havia uma espera e uma forte limitação territorial (a casa, os vizinhos) estava inclusa uma "permissão necessária para extrapolar os limites geográficos". O pai ou a mãe não deixavam o filho sair de casa, e não saindo o contato não era possível. Os amigos só adentravam a casa pela porta. Mas hoje eles "entram" pela telinha do celular. E nesta telinha pode-se falar e MOSTRAR de tudo.
Em outras palavras, a territorialidade administrada pelos pais foi rompida pelo contato virtual. O celular se tornou a porta para entrada de conhecidos e desconhecidos.
Mas esta atividade traz realmente malefícios ?
Os exemplos estão aí, para quem quiser experimentar. Meninas de 11 anos que filmam a si mesmas nuas, para o namorado eventual, costumam ter suas filmagens espalhadas pela Internet quando o namoro acaba. Conquistas virtuais costumam acabar em corpos de mulheres desovados em matagais. Homossexuais "abduzidos" por um "amigo" sociopata costumam ser achados mortos. O "amigo" vai conquistando a confiança da pessoa até conseguir levá-lo a uma armadilha homofóbica.
Em alguns casos o usuário, no caso feminino e jovem, costuma chegar ao suicídio, depois de ver sua imagem amplamente divulgada na sua exposição total.
O que as autoridades podem fazer ?
Se não se pode imputar a responsabilidade ao menor, que pelo menos seja garantida a identidade, e isto com números de documentos, para identificar os agressores e aproveitadores. É preciso que seja exigido o CPF ou RG de quem vai usar o serviço.
No mais, fique atento, jovem ou velho, ao uso desta comunidade virtual.
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