terça-feira, 2 de dezembro de 2014

As gerações 80 e 90

O Brasil tem uma história própria muito curta.

Somos uma nação realmente independente somente após a posse do famoso presidente Prudente de Morais. Como este tomou posse no fim do ano de 1894, odemos dizer que a real história de nossa República, e portanto do Brasil como "indivíduo", sótem 119 anos.

Estes 119 anos não são nada se comparados aos 2041 anos da Europa ( considerando o nascimento do Império Romano apenas, pois levou a administração a todos os pontos do império no Continente Europeu). Se compararamos este dado com os 5774 anos de existência do povo hebreu, a coisa fica muito mais significativa. Somos um país recém-nascido.

República e nação

Uma República só se consolida verdadeiramente se for constituída por um povo que, em si, seja uma Nação. Uma Nação se constitui de um povo que tem costumes culturais, rituais, ideais e heróis consistentes. Os hebreus, como um povo, levaram estes 4 requisitos ao ponto de torná-los conhecidos pelo mundo inteiro. Os americanos cultuam seus heróis, tanto os reais de sua história quanto os da ficção, de forma sólida e efusiva, Estes heróis desua ficção se espalharam pelo mundo inteiro por intermédio das histórias em quadrinhos.

E o Brasil ? Perguntamos.Quais são os nossos heróis ? Quais são os nossos ideais ? Encontramos alguns costumes, mesmo assim copiados ou adaptados dos nossos colonizadores portugueses, no Nordeste. No Sul os costumes são, em grande parte, herdados dos italianos e alemães.

Na parte mais desenvolvida do Brasil, o Sudeste, os costumes são, em sua maiioria, herdados dos americanos. Ultimamente, estamos importando o Halloween, o Black Friday, a música Country forçadamente hibridizada com a música sertaneja, numa mistura indigesta e de baixíssima qualidade. Talvez por este motivo faça tanto sucesso. Os produtores musicais tem um ditado que diz: "se uma música for ruim, basta colocar para tocar até que o povo comece a achar que ela é boa". Deve ser por isto.

Como diria Renato Russo, QUE PAÍS É ESSE ?

Nosso modelo previdenciário é cópia deslavada do modelo americano. Os nossos padrões de roupa informal são americanos, bem como o modelo de Shoppings.

Através da informatização, os modelos visuais e os padrões de uso incorporam criações americanas oriundas da Microsoft e IBM. Somos um gigante industrial que não tem sequer uma marca de veículo nacional. Somos escravos de marcas como Chevrolet, Ford e Volkswagen.

O material humano

Deve ser pelos motivos anteriormente apresentados que a geração de brasileiros nascidos nos anos 80 e 90 tem se apresentado tão duvidosa em suas aspirações, ideais, comportamentos e em comprometimento.

Um dos indicadores de consciência em relação a si próprio é o de incidência da AIDS. Lembrem-se das numerosas campanhas e da massiva onda de informação em torno da prevenção, estamos vendo os índices de contaminação por AIDS aumentarem entre os jovens (nascidos em finais dos 80 e nos anos 90). Imaginem, algo que era uma praga mortal, e que assustou artistas e pessoas de vida sexual um pouco mais ativa que o normal, agora é simplesmente ignorado pelos jovens. Será que é por causa do coquetel que CONTROLA a doença ? Será que a doença que tem cura pode ser experimentada livremente ?

Algo semelhante ocorre na educação. Hoje não existe aquela dificuldade de acesso à escola e ao material escolar dominante antes dos governos populares. São muitos os programas educacionais para colocar quem não tem muitos recursos em uma escola, e muitos são os incentivos sociais para manter os alunos na escola.

O que trouxe o estado de bem-estar

Mas como os alunos vem reagindo a este bem estar social e escolar ? Foi uma enorme coincidência a tecnologia ter dado à esta nossa época o celular, e junto com ele a possibilidade de se ter a Internet nas mãos. O resultado foi a abertura de um canal de conexão com a rede mundial de computadores de dentro da sala de aula.

E como este bem estar não vem necessariamente acompanhado de boa educação, os alunos, muito mais estimulados pela comunicação social do que pela motivação ao estudo, passaram a ignorar o conteúdo dado em sala de aula, e se dedicar mais aquilo que lhe dá prazer.

Futuro ? Para que pensar nele se o Estado Brasileiro vem facilitando tudo para o estudante, com programa Jovem Aprendiz, Bolsa Escola, Poupança Jovem, Bolsa Escola, PRONATEC, ENEM para entrar diretamente na faculdade de acordo com a nota, cotas para minorias e outros dispositivos ?

E se não conseguir evoluir nos estudos, pelo menos a comida está garantida em casa pelas Bolsas e Vales governamentais. Jovens que foram às ruas pedir reformas e fim da corrupção, entre outras coisas, não podem fazer nem a sua obrigação, que é ESTUDAR.

Formação Acadêmica

Os sinais da má formação estão patentes e registrados. Basta ver como os estudantes escrevem e argumentam mal na Internet no Facebook, Youtube e blogs. Os argumentos são apoiados no senso comum, citando apenas fontes jornalísticas (e não periódicos e livros) e de baixíssima complexidade. As construções frasais de universitários são pouco mais desenvolvidas do que a dos alunos do ciclo básico. Fatos brotam da cabeça dos estudantes sem apoio na realidade dos conhecimentos gerais. Mesmo com todo o Universo da Internet disponível, eles não se dão ao trabalho de pesquisar pelo menos 3 fontes sobre aquele fato em evidência. As comparações são confusas e mal relacionadas. As conclusões são lineares (uma causa, um efeito).

E o pior são os erros de escrita. A gravidade está em não conseguir usar a língua materna e de uso cotidiano. Escrever é o MÍNIMO exigido.

Como resultado no Mercado de Trabalho, as empresas já consolidadas procuram profissionais das áreas de Engenharia, Informática e outras áreas das chamadas Ciências Exatas, mas tem que segurar seus projetos na etapa teórica, por não conseguirem pessoas de confiançacom quem possam celebrar seus contratos. A legião de novos vem bem arrumada, bem "armada" de notebooks a tiracolo e tablets nas mãos, mas no principal, que é sua apresentação profissional intrínseca, não oferecem o mínimo grau de maturidade e credibilidade para poder levar a cabo os projetos.

Conclusão

A situação só vai mudar com o endurecimento das exigências em relação às instituições de ensino, que teimam em ter em seus portfólios cursos não reconhecidos pelo MEC, e em relação aos alunos, para se portarem como futuros profissionais, e não como se estivessem em um parque de diversões acadêmicas.

Também os critérios de cessão de benefícios aos estudantes terão que ser mais abrangentes e eficientes em relação ao critério RESULTADOS, para que os estudantes deixem esta zona de conforto em que se acham, por terem feito da Universidade seu ponto de encontro e local de Rede Social Presencial.

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