sábado, 13 de outubro de 2018

Vivendo no passado

A memória é o instituto cerebral de registro de experiências que nos protege da reincidência em erros, que guarda lembranças de quem amamos para sempre lhes retribuir este amor, e de quem quer nos prejudicar para que nos mantenhamos afastados deles.

Experiências

Como diz o nome, experiências são MODELOS de contexto/comportamento. Por exemplo, se somos roubadas na porta de uma padaria, a experiência serve para tomarmos cuidado naquele local e também nas lojas que tenham o mesmo perfil de contexto desta padaria. Se esta for uma loja de esquina, perto de uma comunidade, tomaremos cuidado em lojas com este tipo de configuração.

A experiência não pode ser tomada como REGRA. Tem pessoas que são assaltadas na frente de uma padaria e depois não voltam nunca mais nela. É mais ou menos como dizer "o raio não cai duas vezes no mesmo lugar". Se a pessoa cair nesta armadilha do SEMPRE NESTE LOCAL, vai enlouquecer.

Memória

Pois bem. A memória armazenou a experiência, com aquela configuração específica. A impressão fica como experiência.

Eu aviso, então, esperando prestar um serviço a muita gente que sofre:

Experiências não devem ser a Senhora Absoluta da sua vida

A memória pode te avisar se houver uma probabilidade de uma experiência vir a ser desagradável, mas isto não é uma verdade absoluta e nem uma CERTEZA em um outro tempo.

Qual é o limite

O limite de poder da memória é a fronteira do razoável quando se amadurece. Suas memórias de sofrimento, frente à dor, à angústia, em contextos que você nunca mais vai estar, DEVEM SER ABANDONADOS.

Se eu mudar de cidade, sabendo conscientemente que ela é mais segura, eu deverei me sentir mais segura, abaixando o meu grau de alerta frente àquela situação do contexto doloroso.

O lado positivo incômodo

Até agora tratamos do lado negativo das lembranças, que podem nos incomodar. Agora vou tratar do outro lado, que incomoda as pessoas à nossa volta.

As boas lembranças, de escolas de nossa mocidade, da Universidade e até de locais de trabalho, podem nos levar a ser extremamente chatas. Ao encontrar com amigos e conhecidos, evite contar sempre as mesmas histórias das situações que te deram prazer, pois

Só você sabe o valor de suas experiências pessoais

É como a sensação de sua formatura, do seu casamento, do seu primeiro filho. Só você tem a verdadeira dimensão deste fato. As outras pessoas não passaram por isto, pois não estão em seu corpo, em sua mente e nem em sua memória.

Concluindo

Não seja escravo de suas experiências. Se estiver nestas situações, procure ajuda. Não deixe que o "passado negativo" seja um pesadelo em sua vida, e nem que o "passado positivo" te torne um chato.








sábado, 6 de outubro de 2018

Dissecando o fenômeno #Elenão

Confesso que estou gostando deste período de preparação para as eleições mais esperadas dos últimos 12 anos. A ansiedade e a expectação para mudanças profundas estão fazendo aflorar, com mais facilidade, as raízes dos problemas que os paciente escondem involuntariamente. E isto está mais profundo no caso das pacientes do sexo feminino.

As variações

O assunto em torno deste movimento do #Elenão começou com as próprias pacientes, que não puderam se negar a falar de eleições. Como todo assunto leva ao interior emocional dos pacientes, não podemos tentar desviar, negar ou não discutir os aspectos desenvolvidos.

Uma das faces do assunto corresponde às dúvidas e questionamentos de uma senhora dos seus 58 anos, casada a mais de 20, com dois filhos. Ela me perguntou o que eu achava do candidato Bolsonaro. Não posso revelar preferências ou repulsas aos pacientes. Pedi que ela expusesse o que sentia em relação a ele.

Esta senhora tem uma filha que colocou na página de Facebook a "hashtag" #Elenão. Até ai estava no terreno de sua manifestação pessoal, e tudo se passou naturalmente. Há uns dias revelou o desejo de fazer uma tatuagem, e discutiu com o pai. E no meio da discussão ela o acusou de autoritário, de partidário de Bolsonaro, e a discussão ficou bem feia, com as frases habituais de "quando estiver mais velha vai entender" ou "quem paga as contas sou eu", etc.

A mãe ficou indignada com a posição da filha, pois não vê nenhuma coisa que desabone o candidato para o cargo de presidente, e principalmente reconhece nele o atributo de FAMÍLIA. Perguntei a ela se o pai é do tipo repressor. Ela negou, ressaltando que o pai deu celular e computador, fazendo recomendações mínimas à filha, e que não fica fiscalizando o que ela faz. Tem ele como um marido bom e pai liberal. A filha, excetuando os momentos em que quer fazer alguma coisa que o pai não concorda, conversa naturalmente com ele.

O segundo caso que quero citar é o de uma jovem de 32 anos, cujo pai se separou da mãe, para morar em outra cidade, com outra mulher, deixando a mãe como "pãe", forma que se descobriu hoje em dia para designar mães que também tem que assumir o papel de pais. Pois bem, a jovem é fervorosa ativista do #Elenão, congregando colegas e amigas para este grupo. Durante a consulta ela foi muito enfática, falando muito, com sua agressividade e sarcasmo naturais, maximizados pelo fato de estar sob o efeito de um "bek" (cigarrinho de maconha), como os jovens chamam. Crucificou o candidato da forma mais brutal possível. Esta moça tem períodos curtos de namoro, que acabam justamente, como ela mesma confessa, pela sua agressividade latente e pelos sarcasmos que faz. Ela se sente mais a vontade entre as amigas do que com os namorados com os quais fica.

Entendendo o movimento

O movimento não se gerou, como dizem, criado pela sociedade. Ele foi criado por uma mistura de sentimentos humanos derivados de uma mistura de fenômenos e variáveis psicológicos exaustivamente discutidos pela psicologia:


  • Laços familiares;
  • Autoridade paterna;
  • Afetividade feminina em relação ao homem;


Sem se dar conta, qualquer pessoa é afetada pelos efeitos cumulativos dos "tijolos" colocados durante a sua educação, cada um contendo uma impressão positiva ou negativa.

Começando a explicação, a que figura, contida nesses "tijolos" corresponde a figura do Presidente da República ? Para pessoas com um grau de racionalidade já desenvolvido, o Presidente é uma Autoridade sem vínculos afetivos. Para pessoas com uma baixa racionalidade, imaturas, o Presidente SE CONFUNDE, ERRONEAMENTE, com a figura de pai. E se houver um "ruído" durante a educação da pessoa, no caso, a mulher, em seu histórico de vida, o Presidente pode ser uma mescla de Pai com algum namorado cujo relacionamento foi profundamente negativo. Outros ruídos podem gerar, em uma jovem, uma figura distorcida daquele rapaz que se tornou inatingível para ela, ou por desprezá-la ou por ser muito idealizado para que ela tivesse a coragem necessária para se aproximar dele.

Se enumerarmos todos os casos com os quais tive que lidar, encontraríamos várias outras distorções psicológicas.

Entrando mais a fundo no caso específico, o candidato Bolsonaro tem ingredientes até mais agravantes:


  • É militar;
  • Tem opiniões muito firmes;
  • É direto, sem rodeios;
  • É classificado de direitista;


Isto agrava a semelhança do candidato à figura de pai, principalmente para as mulheres e mais profundamente para as jovens.

Mas existe um traço determinante, que, talvez, se não existisse, talvez a figura psicológica ficasse, de certa forma, escondida: o candidato SORRI.

Ora, ora, ora, mas um sorriso não atenuaria os aspectos que já citamos ? Digo a vocês que isto piora os efeitos de uma das figuras que elucidei aqui: a do namorado idealizado.

Muitos homens, para "ganhar" as mulheres, ocultam o "monstro" dentro de si. Escondem um predador que só quer sexo, e que não está disposto a estabelecer laços afetivos. E então utilizam a ferramenta social mais eficaz como escudo de sua própria agressividade: eles sorriem. E fazem muitas vítimas com isto.

Concluindo

Muitas das reações (no sentido de reação, de oposição a uma ação) psicológicas que temos, mesmo quando nos julgamos maduros, expressam reações irracionais originadas na época em que fomos educados, agravadas por circunstâncias sociais, ou de simples oposição, ou de aprovação incondicional das opiniões dos outros. Tenho falado aqui, insistentemente, de OPINIÃO, para que as pessoas procurem ser indivíduos, e não clones sociais, como tenho observado com desânimo.

Qual mulher, hoje, teria a coragem de dizer que vota em Bolsonaro ? E o medo do linchamento social ?




quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Fantasia de personalidade e política

Nos últimos 2 meses (um pouco menos) o tema em minha atividade profissional se desviou do habitual pessoal para a política. Isto é inevitável perto de eleições. Mas esta eleição, pelo fato de estar se revelando muito agressiva (falo do ponto de vista das pessoas e não de atitudes coletivas, partidárias ou nacionais), está ajudando as pessoas a se exporem mais.

O Tema

Quando observamos, em períodos especiais da vida da sociedade, uma mudança no tema das conversas dos pacientes, temos a plena consciência de que a mudança da conversa de pessoal para focada na sociedade não é o desvio de interesse, nem tampouco de desvio do assunto cotidiano da vida deste paciente. A política, no âmbito da terapia, é apenas um TOQUE COSMÉTICO.

Explicando melhor. Falando de si, ou da sociedade, ou da situação política, o indivíduo está falando de si mesmo o tempo todo. Estando os olhos em posição tal que olham para fora do ser, e não para o seu interior, ele entende o mundo pelos reflexos dos olhares dos outros. Uma dos fatos que confirmam tal assertiva é o incômodo frequente e significativo que a pessoa sofre com a OPINIÃO DOS OUTROS.

A maior vitória do indivíduo, é ter uma consciência tão honesta de si mesmo, que a opinião dos outros não prevalece mais tão soberana em sua vida. Daí ele obtém sua redenção psíquica e psicológica. Ele até entende que a opinião do outro pode ser correta, mas não se guia obrigatoriamente por ela, mas pela sua convicção mesclada à sua aspiração.

Por exemplo. A pessoa comenta com um colega que quer fazer alpinismo. Ele lhe diz: "é muito perigoso". A pessoa, então, coleta esta opinião e diz: "vou arriscar". A opinião dop outro não é como uma ordem incondicional. É um comentário, é um conselho, uma forma de ver a situação, mas ela não é soberana sobre a vida da pessoa, e nem o pode ser.

No texto anterior tratei dos cuidados ao se dar uma opinião. Mas como nem todas as pessoas observam estes cuidados, é preciso aqui colocar as formas de se prevenir dos efeitos nefastos das opiniões de terceiros, muitas vezes apoiadas em:


  • Traumas pessoais;
  • Compromissos inconfessáveis;
  • Desvios de conduta(inveja, medo excessivo);
  • Falta de conhecimento;
  • Herança de personalidade;
  • Herança de opinião;
  • Confusão de sentimentos;


Destes, o mais perigoso, do qual sinto urgência em falar sobre é a ...

Herança de Personalidade.

Nossa personalidade é o nosso escudo para enfrentar o mundo. Mas o que eu estou querendo dizer ? Será que estou sugerindo que viver no mundo é tão perigoso que, cedo, precisamos construir um escudo para viver ?

Observe uma criança, até cerca de 4 anos (conferir a maravilhosa obra de Piaget a respeito dos marcos de avanço do desenvolvimento mental da criança). Ela se expõe, chega de peito aberto, é ingênua, não tem vergonha de dizer o que pensa, e nem de perguntar a respeito daquilo que desconhece, não tem orgulho, não tem soberba. É quase pura.

Mas após esta idade, começa a surgir um pouco de vergonha, pois a criança sabe que está sendo observada pelos outros. Daí surge a necessidade de construir barreiras para se proteger dos comentários e opiniões dos outros. E a primeira barreira que ela vê mais acessível é a das regras. É melhor obedecê-las do que contrariá-las e passar vergonha na frente dos outros.

Existe uma forma de lidar com o mundo, que só será descoberta mais tarde, quando existe desenvolvimento mental para isto, e que primeiramente pode vir na adolescência. O indivíduo pode, dependendo do seu grau de inteligência social:

  • Criar as próprias regras de conduta;
  • Seguir as regras de conduta já criadas por alguém mais "descolado" que ele;


Os pais da geração dos anos 2000 vão entender prontamente disto que estou falando. Esta geração vem querendo criar suas próprias regras de conduta baseadas ( não tenho nenhuma vergonha de dizer ):


  • Adesão às redes sociais;
  • Adesão ao consumo de maconha nas chamadas resenhas;
  • Vida paralela nos videogames;
  • Sexo em situação de quase relação física estável;


Não se escandalizem com estes fatos, pois são a pura verdade. Não é culpa soberana das famílias, mas sim de uma sociedade que não só não apóia como desestimula providências enérgicas, até por meio de leis.

Em termos comportamentais, as Leis não podem invadir os ritos e costumes da sociedade, a não ser que estes ritos e costumes ameacem a sobrevivência da sociedade. Em nosso país houve (e digo com toda a consciência e experiência de mãe) uma invasão nociva nos assuntos do núcleo familiar, pais e filhos.

Criou-se uma VERDADE COLETIVA de forma de vida cotidiana que não respeita opiniões individuais. Para se adaptar, pois o indivíduo tem que se defender, ideologias e filosofias coletivas foram sendo empurradas para cima dos jovens. Isto é claro demais, e foi percebido. Criou-se um modelo aceitável de personalidade, não só para evitar problemas, como para tornar as coisas mais fáceis e, controlando as pessoas, promover consumo e manter o poder político.

A maior parte das pessoas está falando do mesmo jeito, encarando problemas do mesmo jeito, e forçando uns aos outros a aceitar as novas verdades que alimentam um ciclo de novas ideologias, novas aceitações e novas ideologias sobre estas.

A quantidade de pacientes que herdaram a personalidade imposta do século XXI, uma imagem de correção politicamente correta, me assombra. Parece que estou orientando pessoas iguais. Falta opinião, falta estratégia pessoal de avanço, faltam ideias, faltam ações. Estou perplexa.

Voto é uma opinião

Eu disse que o tema mudou no consultório, mas que é apenas uma forma de expressão individual. O ser nunca pára de falar sobre si mesmo, alias isto é justamente o caminho para a aceitação individual (não digo cura).

A maior parte da conversa, nestes tempos de conturbação política, é "aquele falou isso", "esse outro falou aquilo" ou "olha só o que o candidato disse". Isto nada tem a ver com política, seja com os neuróticos já adaptados, seja com os neuróticos em tratamento. Tem a ver com ele mesmo, com a sua aceitação na sociedade. Existe, é claro, um elemento determinante. Como a pessoa não sabe qual será o resultado da eleição, ela, não se sentindo ainda adaptada à sociedade, segura de si, ela fica angustiada em relação a quem escolher.

Já começo a receber pacientes que brigaram com amigos e colegas, devido ao seu posicionamento político. Vamos traduzir o político pelo social, pois o que conta para o indivíduo é a sua posição na sociedade. Depois da eleição, a pessoa vai ter que conviver com o resultado por um longo tempo, pelo menos 4 anos. Algumas amizades poderão ser permanentemente perdidas.

Um derivado da herança de personalidade é a ...

Herança de opinião

Aqui já entrou a ideologia. Os efeitos são mais nefastos. A pessoa não vai só repetir comportamentos, mas até os discursos da PERSONALIDADE PADRÃO. A personalidade padrão é um ícone, uma pessoa eminente, conhecida, já aceita. Imitar as opiniões de uma pessoa já aceita, cultuada por uma grande parcela da sociedade, é UM DOS CAMINHOS MAIS FÁCEIS PARA A ACEITAÇÃO SOCIAL.

Então você deve estar compreendendo muito bem o que está ocorrendo há anos em nossa sociedade. Por preguiça, as pessoas estão praticamente passando em uma LOJA VIRTUAL e dizendo:

Me dê ai um cartão com uma opinião

Só que cada cartão não tem uma opinião diferente. Milhares ou milhões vem com a mesma opinião. Um dos balcões de opinião é o Facebook, outro é o Youtube, outro o Whatsapp.

E quem produz estas opiniões ? Os autores das ideologias criadas para controlar as pessoas.

Aviso

O leitor compreenda que pode estar tendo a existência de um clone da Personalidade Padrão, que pode estar fazendo o papel de mero autômato, e que pode estar tendo sérios prejuízos em sua personalidade. A sonhada adaptação rápida à sociedade pode se transformar em um fator de autodestruição.

Não lute pelas sua opiniões, e sim pelo aparelhamento mental, através do verdadeiro conhecimento filosófico, para compor com sabedoria os seus próprios traços de personalidade.




quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A correta interpretação de Opinião - Consciência

Começo por esclarecer que não escrevo sobre este assunto sob a égide da Psicologia. Esta ciência não estuda as Opiniões e sim, dentre outras coisas, os fatores que influenciam uma pessoa a dar aquelas [ as opiniões].

A motivação para escrever sobre isto é a confusão generalizada em nossos meios de comunicação sobre o que está associado à Opinião pessoal, condenações genéricas e sem embasamento e até censuras sob o modo de pensar, que chegaram até o nível do nosso STF, observadas por mim com assombro.

Em que época infeliz estamos vivendo, e não é só no Brasil, não.

As nossas expressões

Vejam como desenhei os temas deste assunto, para entender como vou discorrer:

Expressão da Consciência

As nossas Ideias e suas consequências tem dois aspectos, que separei neste esquema: aspectos puramente teóricos à esquerda e aspectos práticos à direita. Os da direita são tão práticos, que terminam em Ações. Este é o mundo real. Os da esquerda são o nosso mundo da consciência, repletos de metáforas, e que não geram uma realidade palpável, objetiva ou produtiva. Neste último terreno se encontra a nossa opinião.

O vislumbre

Por sermos seres conscientes, podemos ter, em certos momentos, uma visão daquela "luz no fim do túnel". Vemos uma saída para algum problema ou questão que se apresentou perante nós. Corresponde ao que chamei de vislumbre. O problema guarda em si o aspecto prático. A questão, questionamento, enigma ou contexto, que surgem geralmente numa discussão ou pensamento, guardam em si aspectos mais teóricos. O vislumbre é o ponto de partida para o despertar da Consciência.

A ideia

A partir de um vislumbre, do despertar da consciência para o disparo de nossos mecanismos mentais, começamos a agregar os "blocos de significados" armazenados de forma pessoal em nossa memória. A isto correspondem as nossas ideias. As ideias podem ser unitárias ou já, de acordo com o nosso amadurecimento, relações de ideias, que, de tão consolidadas e até comprovadas, já se constituem em ideias de segundo nível.

As ideias são os "tijolos do raciocínio". O Raciocínio é como uma nuvem móvel de experimentação de novas relações entre as ideias e de consequente formação de ideias secundárias. Um exemplo é BOCA e ALIMENTO, do que derivou COMER. Outro é PERNA e DISTÂNCIA de que derivou ANDAR ou CORRER, mediados pela ideia de VELOCIDADE.

O Projeto

E de uma ideia prática, e de um problema objetivo, vem o Projeto. Existia a ideia de se transportar o próprio corpo de maneira mais rápida, e o problema de como fazer isto utilizando um mecanismo ou máquina. Dai veio o projeto do Automóvel.

Existia a ideia de se comunicar e o problema da distância. Surgiu o projeto do telefone, e recentemente do celular. Assim nascem os projetos. Estes, bem planejados, se transformam em ações. A ideia inicial foi concretizada.

A Ação

A ação é a união da vontade com o vencer do próprio ser no que diz respeito à preguiça ou inércia naturais do ser humano. A ação exige esforço, sair da zona de conforto, procurar o progresso, a superação, a realização pessoal, o trabalho para ajudar a humanidade a equacionar os seus problemas.

A ação é a parte mais bonita  de nossas ideias. Ela se levanta do sofá, vai para a oficina e realiza a obra.

A Opinião

Agora preste bem a atenção no foco de nossa discussão. A opinião se encontra, em nível teórico, no mesmo nível de um projeto no terreno do que é prático. Mas a Opinião é um castelo no ar. Ela pode ser bem consistente, lógica, baseada na realidade, mas ela não constrói sequer uma parede neste castelo. Ela vem de um vislumbre, de um raciocínio, mas seu terreno é teórico, e não atinge as reais intenções das pessoas que estão envolvidas num fato discutido (passado) ou mesmo nos exercícios de futurologia.

A opinião é de natureza especulativa, de um lado exercício saudável de especulação, e do outro tentativa de "VENCER o OUTRO". Muito se diz de "Ganhar na discussão". Isto não existe. Nesta parte eu entro no terreno da psicologia. A Opinião não faz você, não te define, não acumula bens em sua conta corrente. Ela é exercício a ser praticado com os outros. Se você estiver só em um mundo, sua opinião não contará absolutamente nada. Mas uma vez expressa para uma amiga, ou para um grupo, ela retornará aumentada, moldada e aperfeiçoada.

A discussão, forma de compartilhamento de ideias, com o fim de aperfeiçoar as Opiniões, é a forma mais evoluída de melhoramento do mundo ao nosso redor.

A Catarse

Tendo caracterizado a opinião, eu posso falar confortavelmente da Catarse. A Catarse é uma Opinião exagerada, mas que alivia muito o coração de suas tensões. No exagero está uma forte expressão da indignação ou do próprio prazer. O Teatro nasceu para isso, bem como as piadas. Piadas são exageros, se você já notou.

Muitos dos nossos políticos fazem uma catarse em seus discursos, pois tem público para isto. São verdadeiros atores. Fazem um tipo. Interpretam aquilo que o povo deseja que eles sejam. Mas não confunda o que eles falam com o que eles pensam e nem o que eles pensam com aquilo que vai direcionar a sua ação, pois são atores, e dos bem ruins.

Quando o político, como Fernando Collor, dizia que ia acabar com os marajás (servidores com altos salários), fazia catarse, para ganhar a eleição. E isto aconteceu. E aconteceu porque o povo confundiu suas opiniões com a ação teórica correspondente.

O presidente João Figueiredo dizia que "eu prendo, eu arrebento". Pura catarse. Puro desabafo. Mesmo ele, um general do período militar, teve que observar a Lei. Teatro, interpretação de si mesmo, ou "estereotipação de si mesmo".

E o exemplo da atualidade, para não ficar presa no passado, Jair Bolsonaro, o candidato do PSL à presidência. É o exemplo mais claro. Este pelo menos ri. Ri de si mesmo, se já puderam observar. E faz isto porque sabe que está atuando. Sabe que vai ter que obedecer à Constituição. Exagerado. Incorpora um Capitão autoritário. Também é um ator.

Em um outro tipo de atuação eu enquadro Aécio Neves, Ator que incorpora um homem justo, íntegro, correto, de boa família. Mas o farto material a seu respeito mostra a verdade das minhas palavras neste texto. Interpretação de um tipo. De um lado fala de ideias nobres, de projetos excelentes. Mas suas ações demonstram a ruptura entre a Realidade e a Opinião.

Os juízes e a Catarse

Em um tempo em que se repudia a censura, a catarse de alguns é atacada por esta mesma censura. Políticos estão sendo chamados, vejam que absurdo, para explicar suas palavras durante acessos catárticos. Que feio, que inadequado, que contraditório. Como diria Renato Russo: "Que país é este?"

As aspirações são umas, as ações são exatamente o oposto. Se João Figueiredo fosse candidato nos anos 2000, seria chamado a toda hora por Raquel Dodge (procuradora da República) para explicar suas palavras. Jair Bolsonaro está sendo chamado por ter exercido seu direito humano de fazer catarse, em relação aos petistas.

Se uma professora de escola chama os alunos de preguiçosos (realidade das realidades) é chamada pela diretora para dar explicações.

O povo que condena a censura é o pior censor que existe. No mes de abril escrevi sobre "Redes Sociais são a nova censura". A hipocrisia está disseminada em nosso país.

Enfim

Pense antes de confundir as ideias, com opiniões, com projetos, com ações e com o direito sagrado do ser humano ao desabafo, como este que acabei de fazer agora.

sábado, 4 de agosto de 2018

Vamos falar de Igualdade e de Liberdade

O século se iniciou com a discussão incessante sobre a aceitação da Diversidade. Os indivíduos, tomados fora dos grupos, tem formas de Pensamento e de Manifestação diferentes.

Frente à esta Diversidade, como podemos falar de Igualdade ? A Diversidade dos indivíduos contradiz a Igualdade de direitos ?

Para entender a conjunção entre Diversidade e Igualdade, basta especificar os contextos. A Diversidade se aplica ao Indivíduo tomado sozinho. A Igualdade, por outro lado, se aplica aos indivíduos quando reunidos em grupos de interesses comuns ou à sociedade como um todo. Mas quando reunidos em grupos ou multidão, os comportamentos individuais podem sumir por completo, com manifestações temerárias e imprevisíveis.

Portanto, uma coisa é a abordagem individual, e outra muuito diferente é a coletiva, grupal, tribal. 

Como já discutimos no texto "A iniciativa própria do indivíduo - Identidade", cada pessoa desenvolve iniciativas próprias segundo o conjunto de valores que vai coletando dos fatos e eventos que ocorrem no enredo de sua vida.

Vamos relembrar de onde vieram as ideias de Igualdade e de Liberdade na História da Humanidade. Quero esclarecer que é a primeira vez que vejo a necessidade de entrar na discussão histórica para compreender a psicologia do ser humano.

A Revolução Francesa

Nas escolas ainda se estuda um dos mais importantes eventos históricos da humanidade: a Revolução Francesa.

Já prestem bem a atenção na denominação Revolução Francesa. Não foi dito Revolução Inglesa, Revolução Russa, Revolução Espanhola. Pela sua denominação se vê que foi um evento com características peculiares. O mundo em volta importou seus anseios, mas não compreendeu que esta Revolução teve um contexto que não podia ser exportado para outras nações em sua integralidade. É como se um deprimido tentasse utilizar a mesma solução encontrada pelo seu irmão, amigo ou vizinho para a própria depressão.

O núcleo motivacional desta Revolução foi a escravização econômica da monarquia sobre a massa da população. Não falamos cidadãos, porque não eram. E nem falamos franceses, pois não eram cidadãos. Era só um povo dentro das fronteiras francesas. E tudo tinha uma razão de ser. Os conselheiros dos reis, junto com os nobres, pretendiam controlar as massas pela ... fome. O estômago vazio detém o ímpeto de fazer qualquer esforço para mudar as coisas. A fome pode despertar um impulso agressivo para sobrevivência individual, mas não do grupo. A fome é egoísta, e nunca altruísta.

E o povo, instigado pelos teóricos do Iluminismo, e liderado pelos interessados em transferir o poder para suas próprias mãos, tomou a Bastilha, famosa prisão dos discordantes da monarquia, pois

NINGUÉM TOMA O PODER PARA ACABAR COM ELE

O ser humano se revela muito inocente quando apoia alguém que quer "mudar as coisas", mas está ligado a grupos que tem interesses na tomada do poder. Os piores teóricos das "mudanças" são os que dizem que estão interessados no povo. Os indivíduos, tomados como coletivo, são muito fáceis de serem convencidos com argumentos falaciosos, principalmente com estes de que falamos: Igualdade e Liberdade.

É importante lembrar que um dos produtos importantes desta revolução foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A França para os franceses

Quando os franceses fizeram a sua revolução, instigados pelos interesses de quem pensava, e queria o poder para si, eles estavam pensando em constituir uma nação para todos viverem bem, com Igualdade. Já os teóricos e promotores da Revolução o objetivo era tomar o poder. A prova disto é a matança que se seguiu, com muitas cabeças rolando das lâminas das guilhotinas.

A transformação social que se segue a um longo período de dominação é sempre brusca e violenta. É necessária ? Bem, será que os grupos dominantes vão entregar o seu poder de forma amigável, negociada e pacífica ? Uma coisa é negociar com criminosos cercados pela Polícia em uma casa. Outra é uma massa de gente oprimida tentar negociar com seus opressores, que detém o poder de Polícia e Autoridade.

Não fosse pela força e pela mobilização, a França estaria na monarquia dominadora até hoje.

Mas o povo francês não queria Liberdade e Igualdade ? O terror que se seguiu não expressava Liberdade. E o fato de um grupo governar com mão de ferro não produziu Igualdade. E a Revolução fracassou por isso ?

Retornemos às nossas vidas pessoais. Se algo importante, significativo não acontecer na sua vida, você vai querer sair de sua inércia ?

Foi isto que aconteceu na França. O período de opressão e terror promovido pelos revolucionários mudou o estado de coisas. E a Revolução Francesa influenciou os outros países.

A Igualdade Francesa

Se você já foi à França, ou ouviu os relatos de quem já foi lá, já deve ter ciência de como os franceses tratam turistas ou não franceses. Quando descobrem que você não é francês, não dão informações, viram a cara e vão embora. Te deixam na mão.

E a Igualdade Francesa ? É só para franceses. Você pode querer liberdade entre seus iguais, no meio do seu povo, no meio da sua nação, mas um brasileiro entre franceses é um pária. Os religiosos judeus, mesmo franceses, mesmo tendo nascido lá, são xingados e podem ser agredidos pelo povo na rua neste país tão celebrado. Eles andam nas ruas em passo acelerado para evitar agressões. E a Igualdade ? Igualdade só para franceses na França.

Os teóricos da Igualdade só pensaram em si. O resto do mundo é outra conversa.

É o retrato da hipocrisia humana. E lembremos que eles redigiram e aprovaram a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Igualdade Econômica

Como podemos ter igualdade econômica, se uns se confessam preguiçosos e fracos ? Como ter igualdade quando algumas mulheres aguardam um homem que as sustente ? Como promover igualdade quando empresários revelam suas táticas para enganar clientes e obter lucro ? Como vamos atingir a igualdade com pessoas que aguardam favores de políticos para suprir sua fraqueza e incapacidade para o trabalho ?

Então uns vão trabalhar para sustentar os outros ?

Portanto, é racional clamar por Igualdade econômica ?

Hoje, tenho minhas dúvidas. Com pessoas tão diferentes em seu ânimo, em suas aspirações, em sua disposição, duvido muito, e encaro este tipo de Igualdade como discurso vazio, promovido pelos fracos, para que os fortes trabalhem para eles.

Conclusão

Mexemos com material humano. Humanos são diferentes. Alguns conseguiram, com seu esforço, dom da natureza, mais que os outros. Outros tentam, com conceitos, superar sua fraqueza para o trabalho, e convencem os outros a trabalhar para sustentá-los. É uma espécie de roubo existencial.

As pessoas precisam trabalhar. É uma das melhores expressões de Igualdade. TODOS deveriam IGUALMENTE trabalhar para se sustentar, e não ficar inventando teorias que os beneficiem economicamente.

Outra conclusão é a de que a Europa quer empurrar goela abaixo dos brasileiros as teses que não conseguiram realizar. Eles são bem recebidos aqui, mas nós somos mal recebidos lá.




domingo, 13 de maio de 2018

O bem estar social traz a paz ?

No início dos governos populares (Lula e Dilma) eu mesma estava muito esperançosa. A realização desta esperança seria, no âmbito da minha atividade de orientar as pessoas no terreno da psiquê, a meu ver, uma maior detecção de ânimo e de otimismo frente a uma situação social que pretendia ser arrumada. Em outras palavras, melhorada a condição social, haveria melhoria na qualidade das condições psicológicas das pessoas que frequentavam (em muitos casos a palavra é esta mesma) meu consultório.

Como possuo convênios, também esperava um aumento no número de pacientes de baixa renda, para virem ao consultório compreender seus problemas internos, agora que as condições econômicas melhoravam para esta classe.

Mas, à medida em que o tempo foi passando, e o número de pacientes realmente veio aumentando, pude botar fenômenos estranhos e diversos do que eu esperava. Aqueles que já frequentavam o consultório, passaram a narrar não mais as suas dificuldades (como era esperado), mas pequenos conflitos fúteis da vida cotidiana, mais próximo do terreno da agressividade. Agora que a situação econômica ficara satisfatória, as preocupações se deslocaram para briguinhas com colegas de trabalho, antagonismos, competitividade desenfreada, e problemas semelhantes.

Eu esperava uma maior preocupação com o crescimento interno que as próprias pessoas teriam, melhorada a situação econômica. O fenômeno também veio misturado com a chegada das redes sociais e suas consequências. Os pacientes, volta e meia, ameaçavam tomar atitudes agressivas com aqueles que atingissem, mesmo de maneira bem leve, seu orgulho, sua opinião e suas convicções.

Índices de Violência

A estatística da violência,.ao invés de diminuir, veio aumentando de 2005 a 2015, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada), apesar da melhoria das condições sócio-econômicas. Isto tem dois componentes: a maneira como foi formada a "civilização" brasileira e os valores que ela deveria buscar e não busca.

Como poderíamos nos afastar do tema, não vamos nos aprofundar na Sociologia, mas tão somente procurar achar as razões no indivíduo.

Enquanto o indivíduo está preocupado com a sua sobrevivência, sua cabeça fica ocupada, quase 100% do tempo, em obter os recursos econômicos para satisfazer as suas necessidades básicas. Quando esta preocupação se acaba, ele procura reforçar o seu amor-próprio (no caso mais evoluído) ou a sua capacidade de crescer profissionalmente (foco na carreira) ou então procura valores que reforçem, pura e simplesmente, o seu ego.

Traduzindo este enunciado para a sabedoria de nossos avós, temos o ditado dos antigos:

CABEÇA DESOCUPADA, OFICINA DO CAPETA

 É triste constatar que toda a ciência psicológica, mesmo com o auxílio da estatística e dos pós-doutorados, chegue apenas naquilo que a sabedoria popular, por pura observação, já vem dizendo há anos.

Depois que os brasileiros se libertaram da sua preocupação sócio-econômica, passaram a procurar propósitos banais para a sua vida cotidiana.

O importante é ser feliz

As novas gerações estão se preocupando, depois de ter o que comer e vestir, com aquilo que as deixa feliz. A carreira de sucesso, o conforto desmedido e obter fortuna, deixaram de ser preocupação. Isto pode ser facilmente constatado na geração denominada de "Milenium", ou seja, os nascidos nos anos 2000, com raras exceções. Os jovens que passam pelos consultórios não se preocupam mais com o seu futuro profissional, e nem sequer com o econômico. Eles afirmam:

EU QUERO FAZER APENAS O QUE ME DEIXA FELIZ

Isto diferencia os jovens de 1940 a 1980, cuja ênfase, no pensamento, era a carreira. Ter sucesso e dinheiro para viver bem.

Não gosto deste chavão de que as novelas são as culpadas, mas posso dizer que elas contribuíram enormemente para a difusão deste tipo de pensamento. Preocupadas em mostrar os excessos de determinadas atitudes das pessoas competitivas, elas acabaram por reprovar completamente o benefício de uma atitude de preocupação com o futuro econômico pessoal e com a carreira, por consequência.

Conclusões

A melhoria das condições sociais é um fenômeno coletivo, promovido pelo estado, e não tem consequência obrigatória nas avaliações e na ótica dos indivíduos. Como já mostramos aqui, as escolhas dos indivíduos é que determinam o caminho que vão seguir (Escolha Individual).

Indivíduos de personalidade fraca pautam suas escolhas com base em fenômenos sociológicos, e é isto que estamos observando ao longo destes últimos 8 anos, em relação ao fator combinado das melhorias sócio-econômicas.

A solução é o reforço dos valores individuais combinados à preocupação com o coletivo.

sábado, 28 de abril de 2018

A guerrilha de 1970 no Brasil - Fenomenologia adolescente

Foram necessários muitos anos de meditação no assunto. Vejam, o período a que todos chamam de Ditadura Militar veio de 1964 à 1980, diminuindo gradativamente de intensidade, e sendo alvo de interpretações políticas e sociais.

Hoje eu posso dizer, baseada na análise dos que tinham por volta de 22 anos de idade (em média), e dos filhos destes mesmos pacientes que, certamente, este movimento de guerrilha, a propósito de luta contra a Ditadura, nada teve de político. Este movimento mal interpretado teve características sociais temporalmente localizadas em torno de um movimento específico peculiar a uma geração.

Adolescência

Todos nós sabemos que o período da Adolescência é pautado pelo seguimento de uma tendência. No bojo dos eventos sociais de uma época, os jovens aderem a uma Filosofia, Ideologia ou Ideal Social que esteja em evidência no momento.

Vamos citar um exemplo que se constitui em um excesso, e que está ocorrendo na Europa, para mostrar o ímpeto da juventude. Jovens Belgas, Noruegueses, Franceses, Alemães e de várias outras nacionalidades, INCLUINDO ALGUNS BRASILEIROS, se tornaram muçulmanos, e foram fazer parte do ISIS (Exército Islâmico). Os "filósofos" de nossa época interpretaram isto como uma espécie de simpatia pela luta dos palestinos. Ledo engano.

Quem interpreta esta tendência está ignorando aquilo que move um jovem na adolescência, que é a busca por EMOÇÕES e pelo PERIGO, em vista da conclusão tardia dos centros de planejamento e crítica apurada, característica da idade, e que fisiologicamente se encontra na parte frontal do córtex do ser humano.

A adolescência é caracterizada pela busca de esportes e atividades perigosas, pela falta de conhecimento dos diversos tipos e graus de consequências de nossos atos. O sujeito está aprendendo, ainda, a avaliar a sequência integral de cada atividade humana e de suas implicações para o futuro.

O fenômeno dos anos 1970

Qual era o contexto social, no Brasil, nesta década ? A sociedade estava sob o peso de uma autoridade identificada como Ditatorial. O jovem tem uma veia natural de antagonismo frente às autoridades. A ideologia de resistência foi levada ao nível de OPOSIÇÃO. E a oposição ideológica não bastava, pois o rótulo de "Ditadura Militar" era amplamente divulgado, com propósitos bem claros, pela esquerda brasileira. Portanto, esta oposição passou ao nível de exigência de uma OPOSIÇÃO ARMADA.

Eu costumo comparar esta oposição armada como um prenúncio do jogo de "Counter-strike" (videogame onde um grupo da lei luta contra os terroristas), bem popular nos anos 1990. Jovens sem preparo se armaram para tentar combater integrantes das forças armadas, ou seja, amadores contra profissionais.

TUDO FOI APENAS UM JOGO, pois o jovem ainda não deixou completamente o mundo da fantasia para se integrar à realidade, e repito: isto só se concretiza quando o Córtex pré-frontal conclui o seu desenvolvimento.

Nos dias de hoje

Hoje, esta veia agressiva encontra seu meio catártico no jogo de GTA (videogame em que o jogador adquire armas, rouba veículos e pode atirar em qualquer um com armas pesadas, inclusive contra a polícia), e em outros jogos de guerra, como Call of Duty, Fortnite e Rainbow Siege.

Tremo só de pensar em uma situação como a atual, em que são descobertos vários políticos corruptos, em que não tivéssemos estes jogos em que estes jovens pudessem descarregar a sua agressividade natural. Poderíamos ter uma sequência de assassinatos por parte destes. Se vocês acham que esta especulação é um exagero, basta citar os casos em que vítimas de bullying levaram a cabo suas intenções agressivas, num nível individual. E se um jovem, sem instrumentos de escapismo, julgar que estes políticos prejudicaram ou estão prejudicando, objetivamente, suas famílias. O que poderia acontecer ?

Diagnóstico

Portanto, pelos argumentos que colocamos, podemos concluir que o fenômeno dos anos 1970 foi consequência dos arroubos adolescentes. Também podemos acrescentar que os jogos ditos violentos, na maioria dos casos, ajudam a descarregar esta agressividade.