quinta-feira, 16 de maio de 2019

O Socialismo visto sob olho clínico

Aprendi que não devemos perder as oportunidades que nos são apresentadas, no correr de nossas vidas.

O momento social-político brasileiro está fornecendo terreno propício para a análise da psiquê do brasileiro. Quem observa este povo constata que ele é único. É o povo mais contraditório que já habitou a face da terra. E as provas tem vindo aos nossos consultórios. Vou citar algumas espécies de casos, todos com pelo menos 4 correspondentes em número de pacientes.

Ex-militantes do MST

Este tipo escolhi por serem mulheres, daí eu ter uma empatia e identificação, por também ser mulher.

A vida destas começou como cozinheiras ou professoras, que entraram no MST para auxiliar "aquelas pessoas necessitadas que ficavam acampadas".  Estas mulheres acreditavam que estavam sendo úteis. As cozinheiras não estranharam, à princípio, a constante disponibilidade de cestas básicas nos acampamentos (e trabalharam em mais de um, pelo menos. As professoras admiravam a organização dos acampamentos. O que aborrecia estas últimas era o autoritarismo, mas a níveis suportáveis. Algumas escolas de assentamentos, segundo essas mulheres, ganharam prêmios. Outras os ganharam pelos modelos agrícolas que adotaram.

Além do Autoritarismo, havia a constante insistência com a doutrinação das crianças em torno dos valores do socialismo, solidariedade e ênfase no coletivo. Em se tratando de um movimento popular, foi-lhes explicado que isto devia ser garantido.

Destas mulheres, pelo seu trabalho e engajamento, a algumas foi proposto partir para a militância mais séria. Já ganhavam um salário. A origem era a contribuição voluntária de 10% dos salários dos políticos do Partido dos Trabalhadores, acrescidos daqueles originários dos indicados pelo Partido para as estatais federais, estaduais e municipais, fosse em cargos de chefia, fosse em cargos de assessor. E na proximidade das eleições, era pedida uma contribuição maior, equivalente a um salário destes gerentes. Esta foi uma das principais razões que manteve estas mulheres no movimento. Em qual emprego se pode ter um salário garantido, com a assistência de um movimento presente em todo o país, com o público alvo interessado e fiel, e com a possibilidade de entrada no universo político.

Todas destacaram que como cozinheiras, diaristas ou professoras, no mercado de trabalho comum, não havia a possibilidade de entrarem no mundo político. A transição, é claro, exigia um sacrifício, em tempos de eleição. Ficar na porta de fábricas, empresas estatais, supermercados e outros estabelecimentos chave, determinados pelo movimento, distribuindo santinhos e tentando arrebanhar mais gente para o Partido.

Mas o que as trouxe ao consultório, já que desfrutavam de tanta "felicidade" e realização profissional ?

O Paraíso e a queda

Algumas delas ganharam cargos nas empresas estatais. Tudo começou a ficar muito bom. Puderam fazer tratamento dentário. Não fosse o salário de até R$ 16 mil reais, jamais sonhado por elas, ainda havia o Plano de Saúde, geralmente muito bom. Puderam adquirir boas roupas. Ainda havia o Vale Refeição e o Vale Alimentação.

A aceitação pelos empregados das empresas onde acharam abrigo foi fria. No movimento, o calor humano prevalecia. Mas o dinheiro ia acertando a vida da família. Tiveram acesso ao crédito fácil da Era Lula e da Era Dilma. Algumas só pegaram a fase Dilma.

Mas como quando mais se tem, mais se quer, elas se descontrolara, no entusiasmo do crédito do cartão. Não sabiam que política é a arte de atender interesses. Era preciso dar lugar ao máximo de pessoas que se sacrificaram pelo partido. Algumas eram exoneradas, com a devida recompensa, maior parte para cobrir o saldo dos empréstimos. A maior parte voltou ao movimento, mas algumas se magoaram, e voltaram à vida normal. Mas a família cobrava pelos benefícios financeiros de antes. A vida em família se tornou tensa, até que a família se acostumasse com a situação menos favorecida.

É preciso preparo emocional para sair de uma situação de conforto para recair na vida simples. Nenhuma fez uma poupança, pois acreditavam que os cargos durariam para sempre. A única poupança foram algumas amizades sinceras, sejam físicas, sejam virtuais.

Estas mulheres dissertam textualmente:

"Pudemos comprar os melhores perfumes, as melhores roupas, reformar a casa" ou "tivemos vida de ricas por uns instantes".

As que realmente tem a vocação social voltaram aos acampamentos, e sabem que podem ter uma nova chance. Porém, as mais materialistas se ressentem fortemente da ascensão e queda num espaço de tempo que não foi o suficiente para fazerem uma poupança. Sobre estas o efeito do salário alto foi muito grande.

Perguntei se não tinham motivação para fazer algum empreendimento. Apenas uma admitiu a hipótese de abrir um restaurante.

Hipóteses

O número de casos me permite concluir que não foi propriamente o dinheiro que as seduziu. Eram pessoas, a princípio, solidárias. Os depoimentos deixaram transparecer a vaidade da aparência pessoal. Tem saudade do tempo que podiam entrar numa loja e comprar uma boa roupa, ou ficar por até 4 horas num bom salão de beleza, sendo paparicadas e ficando bonitas.

Uma constatação ruim, a meu ver, é a eterna fraqueza humana. Elas perderam, em sua maioria, o interesse pelo social, se preocupando mais consigo mesmas,

E, estejam atentos, assim como estas vieram com problemas psicológicos ao consultório, existem muitas outras que permanecem no caminho do social, a espera de uma experiência com o conforto.

Em outro artigo poderei expor mais impressões em relação a outras situações deste momento conturbado da vida nacional.


sábado, 9 de fevereiro de 2019

Visão prática da Autoridade

Um consultório de Psicologia é o termômetro do estado emocional da sociedade. Nossa sociedade sofreu um profundo baque como resultado da transição da tendência anterior de governo (mais socialista) para a atual (mais conservadora). Velhos porem lapidares valores voltaram à discussão. A sociedade brasileira parece estar numa "guerra fria". Amizades tem sido desfeitas, pois aspirações e comportamentos que estavam escondidos se fizeram revelar, por causa das discussões políticas.

Um dos aspectos mais doloridos com o qual tenho me deparado diariamente, a partir desta mudança de governo, tem sido a relação das pessoas com a Autoridade. De um lado temos aqueles que, provavelmente, estão bem resolvidos com o retorno deste valor, pois não tem vindo resolver este conflito, e do outro lado temos o grupo que enche nossos consultórios, pelo fato de apresentar uma exacerbação deste conflito, que gera mal estar frente à atual situação, com consequências físicas.

Vou procurar mostrar, aqui, as peças estruturais que se conectam à Autoridade, suas derivações pelo exagero e suas relações com as emoções.

Autoridade e Sociedade

Antes de prosseguir, é preciso explicar a natureza do modelo de Autoridade. Inicialmente, a Autoridade é um modelo que age de fora para dentro. Ou seja, a vida em Sociedade é que gera as relações de Autoridade.

Posteriormente, à medida em que o indivíduo amadurecc, ele descobre que pode ter Autoridade sobre si mesmo, isto é, o DOMÍNIO PRÓPRIO. Esta é a forma final do modelo de Autoridade, que torna o indivíduo resolvido e, como consequência de ser reconhecido como maduro, uma pessoa extremamente feliz.

Aversão pela Autoridade

A aversão pela Autoridade pode apresentar elementos de repulsa por relações afetivas mal interpretadas. Existe a confusão da Autoridade com o Pai (em primeiro plano) com a mãe (em segundo plano, ou pela ausência física ou emocional do pai), ou com o principal Tutor na vida da pessoa.

Esta aversão pode se dirigir para figuras públicas notórias que tem o Poder, desde políticos até artistas que tenham alguma influência, não nos esquecendo dos líderes religiosos.

Autoridade e Autoritarismo

A Autoridade tem derivados prejudiciais e ilegítimos. Se a Autoridade existir apenas como uma personalidade "virtual", ela permanece pura. Acontece que a Autoridade possui uma personalidade humana. Existe a Autoridade e existe o seu Agente (um chefe, um gerente, um sargento, um prefeito, um governador, um almirante, etc).

Quando um agente personifica a autoridade, temos realmente um grupo social que vai colocar em prática alguma coisa, seja um Serviço, seja um Processo. O derivado prejudicial da Autoridade surge quando ela é exercida por um Agente, geralmente uma Pessoa. E as Pessoas possuem, entre os seus atributos, entre as suas qualidades, uma coisa chamada Vaidade. Se a Vaidade é mantida em seus níveis normais, temos uma Autoridade. Se a vaidade passar dos limites toleráveis, a Autoridade passa a ser conhecida como Autoritarismo:


A Vaidade pode aflorar por Transtornos, Ódio aos subordinados e por qualquer outro distúrbio de comportamento que acione os mecanismos destrutivos do Agente da Autoridade. Por isso as relações de Poder que emanam da Autoridade sobre subordinados ou liderados deve estar condicionada por um conjunto de Regras.

Hierarquia

A Hierarquia é uma cadeia de comando necessária para definir os graus de Responsabilidade. Responsabilidade é algo que não vamos explicar agora. A Hierarquia se torna proporcionalmente necessária à medida em que aumenta o número de liderados.

Influência

Em vista do assunto tratado, vamos abordar a Influência apenas sob o ponto de vista da Autoridade. Se a Autoridade for "seca", ou seja, tiver ascendência sobre os liderados apenas pelo exercício do cargo, ela pode não obter daqueles o resultado desejado. Ela poderá ter o poder, mas nunca o engajamento dos graus hierárquicos inferiores.

Para isto, será preciso que o Agente da Autoridade tenha a habilidade, isto é, inteligência emocional para construir uma relação de empatia com os liderados. Este respeitarão o Agente da Autoridade, tornando-se disponíveis, eficientes, leais e, por consequência, produtivos.


A Influência pode se dar simplesmente pela Razão, ou seja, os subordinados reconhecem que tem que obedecer e isto lhes basta. Mas quando existem vínculos Emocionais, como Afeto, Admiração ou até Amor, os efeitos são muito maiores, como já explicamos:


A relação de Amor a que nos referimos nada tem a ver com paixão, que poderia atrapalhar as relações entre o Agente da Autoridade e os liderados.

As Regras

Como toda relação de dependência, e principalmente relação humana, o exercício do poder deve ser regrado, para evitar uma influência prejudicial entre Líder e Liderados:


Não existem relações sociais, principalmente profissionais, sem Regras, sejam tácitas ou escritas. As Regras coíbem o Autoritarismo, apesar de que ele sempre se encontra à espreita.

Liderança e Carisma

A Liderança é uma Relação de Autoridade que vem pela Razão. Já o Carisma é uma Relação de Autoridade que vem pelo Afeto ou pelo Amor e que, como dissemos, produz os melhores resultados em uma equipe.


Palavras finais

Fique atento, em sua organização, às corretas Relações de Autoridade, para que se deem sob limites bem definidos por Regras, para evitar os problemas emocionais, a queda de produtividade, e a exacerbação que conduz os líderes ao autoritarismo.






















domingo, 25 de novembro de 2018

Mulheres a procura de homens verdadeiros

Já escrevi, nos últimos artigos, sobre os fenômenos sociológicos brasileiros, provocados pelos últimos eventos político-sociais.

Em primeiro lugar, vou dissertar brevemente sobre os 3 (três) tipos de homens (considero já como homem qualquer indivíduo do sexo masculino com 18 anos ou mais) criados pelos últimos eventos sociais:

  • O "nem-nem", rapazes, protótipos de homens, que não trabalham e nem querem estudar;
  • O homossexual assumido, que se coloca fora da opção racional das mulheres que preferem homens héteros;
  • Os que vivem no universo dos narcóticos e estupefacientes, ou seja, na maconha ou em drogas, e simplesmente "não precisam" ou não ligam para os prazeres do sexo;

Diante desta situação, as mulheres de 18 anos em diante, na média, jovens, praticamente no início de sua vida sexual e de afloramento da consciência de serem femininas, estão optando racionalmente pela categoria de homens já formados, que já definiram sua opção sexual, que não procuram o seu prazer em maconha ou drogas, e que estejam em busca de companhia, porque precisam de uma mulher ao seu lado para convívio, por um intervalo de tempo maior que somente uma noite.

Busca do prazer

A busca primordial de um ser humano é por prazer. Como para alguns indivíduos o estado relaxante da maconha, haxixe e outras drogas basta, é suficiente para o seu grau de necessidade, eles podem optar por este caminho, compondo o terceiro grupo que enumeramos anteriormente.

Mas existe um fator complementar. Os que reduzem sua necessidade de prazer a esta terceira opção, uma escolha restritiva e puramente química, possuem uma preguiça inerente ao seu caráter. Escolher uma moça, daí procurar conhecer suas preferências sociais e materiais, seus gostos e agradá-la lhe parece oneroso. E mais que onerosoem esforço pessoal e mental, existe o oneroso do lado financeiro.

E a escolha homossexual ?

Sob o ponto de vista de uma de suas facetas, esta escolha cai na "FACILIDADE DE DECIFRAÇÃO SOCIAL": o homem entende melhor um outro homem, e a mulher entende melhor outra mulher. Bem, pelo menos à primeira vista isto pode ser verdadeiro.

Existem, no entanto, outras faces por detrás desta opção, como a admiração pela mãe e a repulsão pela autoridade do pai, NO LADO MASCULINO. O fenômeno também pode ser provocado pela confusão do papel de mãe com o comportamento que este indivíduo masculino deve repetir. Pelo LADO FEMININO, existe a admiração da menina ou moça pela mãe, que pode estar conjugada a uma repulsa pela agressividade do pai, mas que ela acaba incorporando em seu comportamento, sem o saber.

Em ambos os últimos casos do lado homossexual, pode existir uma experiência anterior hétero mal sucedida, mal resolvida ou dramática ou traumática. Nem todos os homens são agressivos, assim como nem todas as mulheres se tornam insuportáveis.

E como o ser humano busca o prazer, ele vai procurar ficar o mais longe possível do desprazer.

A preguiça

Hoje, apesar das facilidades da vida moderna, como transportes, sites de relacionamento, opções de lazer, maior disponibilidade de "exemplares humanos", as ideias propagadas pelas midias de todas as categoriasnão premiam o ESFORÇO, e sim a FACILIDADE e o IMEDIATISMO.

O prático, o fácil e o rápido são tidos como aquilo que é virtuoso, e o complicado como um caminho a ser evitado a todo custo e condenado.

Como, em uma sociedade de facilidades, benefícios e de programas sociais assistencialistas, conseguiremos convencer alguém de que o demorado, e o que demanda esforço, é o mais compensador ?

Conselho

Ao fazer a sua escolha, companheira do sexo feminino, pense no futuro. Não seja apressada, pensando em prazer ou no seu bolso. Não troque sua dignidade por uma atuação teatral para o resto da vida.

sexta-feira, 2 de novembro de 2018

O processo grupal no fenômeno Brasil 2018

Nós mulheres estamos mais preparadas para analisar o Processo Grupal, pois como já se comprovou, o comportamento das massas é o de um organismo feminino. O mesmo podemos dizer, dentro das devidas proporções, para o universo de uma sala de aula (em geral temos professoras lecionando), e com mais restrição ainda para o conjunto de uma família. Nós mulheres somos educadoras por excelência, pelo nosso tato na condução de grupos.

O processo grupal

Podemos representar o processo grupal como a coexistência de três conceitos/finalidades, mais bem expressos pela figuara abaixo:



Vou explicar de forma muito simples. Na formação de um grupo, e em sua mecânica, estes três conceitos/fatores coexistem o tempo todo, E DEVE ESTAR BEM EQUILIBRADOS.

O melhor exemplo seria um grupo de estudos, para que os jovens possam ler este texto. Em primeiro lugar, o grupo se estabelece com um objetivo comum, em nosso caso, para gerar um trabalho pedido por um professor. Este é o aspecto da Produção. As pessoas se uniram para produzir algo em comum.

Automaticamente, surgirá um líder, exercendo a Dominação natural do fenômeno mais geral chamado de VIDA. Sempre surgirá, em um grupo, um líder, até porque, sem um, dificilmente o grupo subsistirá por muito tempo. A característica de sobrevivência não está representada, mas permeia todos os três conceitos, como forma de manutenção da Produção. Se um grupo chamado empresa deixa de Produzir, ele deixa também de existir. Na empresa, o objetivo comum tem o dinheiro como objetivo final mais palpável.

O terceiro aspecto é o Grupo/Sujeito, ou seja, uma força que sempre emana de nossa individualidade, como leve oposição.

O fenômeno Brasil

Sem perceber, o Brasil, nestes anos 2000 e 2010, foi empurrado, silenciosa e meticulosamente, para uma luta de classes, tanto no aspecto educacional, sob influência do pensamento de Paulo Freire, quanto no aspecto econômico. Tentou-se dar às classes menos favorecidas o mesmo que as favorecidas, através das dezenas de programas governamentais.

Mas houve um aspecto novo e BRASILEIRO, por excelência, devido à nossa peculiaridade entre os povos. A luta de classes deu lugar à luta de grupos de poderes, conjugada à distribuição de favores pelo grupo de dominação, em função do dinheiro.

O aspecto de dominação de um GRUPO se tornou um Grupo dentro do GRUPO. Isto é tipicamente brasileiro e chamado de JEITINHO BRASILEIRO (que poderia ser o outro título deste texto).

A dominação foi exercida pela distribuição de um bem-estar que, pelos níveis exigidos pela situação econômica, foram fáceis de se satisfazer, não atrapalharam de forma significativa a distribuição do dinheiro pelo grupo dominador.

Em outras palavras, o que a população brasileira, em seu contexto geral, precisava não era muito, mas pouco, ligeiramente acima de uma linha tão baixa, que foi fácil de satisfazer.

O aspecto Grupo/Sujeito estava adormecido dentro das pessoas, pelo falso conforto obtido como benesse governamental. E um dos fatores principais deste conforto foi o ...

O celular

Não estranhem que o celular vai entrar aqui como aspecto psicológico, pois afirmamos que o brasileiro precisava de pouco, e que também é fácil de se dominar, pelo seu baixo nível cultural.

Ter um celular, por incrível que pareça, faz com que ricos e pobres pareçam iguais. Os maiores valores da atualidade são a informação e o entretenimento, e não mais, tanto quanto no passado, os bens materiais.

O pão já foi dado pelos programas sociais. O circo está no celular. Os vídeos com pessoas em situações ridículas, golpes, assaltos, frases espirituosas e piadas formaram o circo para esta geração Whatsapp.

A vingança do Circo

Mas, mais uma vez, dentro da peculiaridade brasileira, o Celular mudou sua finalidade. De circo passou para palanque. Uma parcela da população percebeu que estava sendo dominada (a outra continua dormindo) e utilizou o celular nas eleições, através do poderoso palanque chamado Whatsapp, e mudou os rumos do país.

Foi o circo se transformando em arma. Só no Brasil algo poderia se converter de água em vinho.

Moral da História

A arma do grupo de dominação anterior, para alienar a população, se transformou em arma contra si mesmo.






sábado, 20 de outubro de 2018

Síndrome de Engels

Vamos falar do dinheiro, símbolo da riqueza, invenção que possibilitou o progresso comercial e posteriormente industrial do mundo.

Não vamos ensiná-lo a ficar rico, não vamos ensinar como ganhar dinheiro e nem como mantê-lo. Nossa abordagem será o lado psicológico.

O pão duro

O indivíduo "pão duro", que "não abre a mão prá nada", é um exemplo de manifestação da relação da pessoa humana com o dinheiro. Este se divide em dois tipos:


  • O que diz que não distribui aquilo que suou tanto para ter;
  • O que, depois de ganhar o dinheiro, não se admite gastar, pois sente culpa por ter mais que os outros;
  • O que tem amor ao acúmulo de riqueza;

O rico

Existe um quarto tipo que deve ser enumerado agora, para não perdermos a sequência de tipos:

  • O que nasceu rico, e que se sente culpado por ter mais que os outros;
  • O que nasceu rico e que ajuda os outros sem culpas;
  • O que ficou rico, sabe da dificuldade que enfrentou, e que só gasta naquilo que compensa;

O normal

O indivíduo normal ganha o seu dinheiro, gasta moderadamente consigo mesmo e também dispõe de seu dinheiro em prol dos outros eventualmente.

Comentário

Estes transtornos não são artificiais. Você diria que a invenção do dinheiro é que gerou isto. Não. O advento do dinheiro, ou seja, da moeda, apenas fez aflorar um aspecto psicológico que já existe latente dentro do ser humano, muito comentado, o egoísmo e o amor próprio.

Dentro dos tipos, para o fim deste artigo, vamos discutir o mais angustiante:
  • O que, depois de ganhar o dinheiro, não se admite gastar, pois sente culpa por ter mais que os outros;
Vamos dar um exemplo histórico, notório e de consequências para a nossa história.

Friederich Engels

O pai de Friederich Engels montou uma tecelagem nos tempos da Revolução Industrial, na Inglaterra. Como todo empresário, naquela época, oprimia os seus empregados, pagando pouco e explorando ao máximo os seus empregados. Isto não passava desapercebido do jovem Engels. E sua culpa interna pela opressão que o pai exercia sobre os empregados chegou ao nível de produzir em Engels a identificação com os empregados.

A identificação de Engels com os empregados da fábrica de seu pai foi tão forte, que ele se casou com uma das trabalhadoras mais rebeldes desta fábrica: Lizzie Burns. Ele via claramente a diferença de condições econômicas entre o pai, patrão, e os empregados. E isto o incomodou profundamente.

Em Karl Marx, Engels achou mais um apoio intelectual e psicológico para o seu "complexo". Karl Marx teve um papel tão determinante em sua vida, para o aliviar deste fardo psico-social, que Engels passou a ajudá-lo financeiramente, pois a profissão de jornalista rendia pouco, quase nada, para Marx.

A síndrome

O que chamamos aqui de "síndrome de Engels" é este complexo que acompanha algumas pessoas que tem muito dinheiro. Caracteriza-se por uma sensação de empatia acrescida de uma culpa não adequada, pelo fato deste ter aquilo que o outro não tem.

E então, com o intuito de ajudar a estas pessoas, que sofrem caladas, ou ingressam no engano de achar que a a sociedade está errada, ou que eles mesmos estão erradas por terem mais que os outros, e começam a inventar desculpas teóricas ou formulam ideologias que pretendem fazer a perfeita divisão dos bens que o mundo disponibiliza.

As pessoas não são iguais

Dentro de cada um de nós a natureza deixou uma identidade biológica inquestionável da particularidade de cada um e de sua identidade na existência: um conjunto de pequenos filamentos de DNA em cada uma de nossas trilhões de células. Se o nosso interior biológico, que abriga aquilo que chamamos de alma (movimentadora do ser, e não associada a crença), possui uma assinatura ÚNICA, isto significa que somos diferentes uns dos outros.

É um engano acreditar que, pelo fato de construirmos uma sociedade, com língua e costumes comuns, pelo menos socialmente somos iguais. Não somos, e os eventos históricos que suscitaram disputas ideológicas, até se transformarem em conclitos armados, provam isto.

Existem pessoas dispostas sadias, doentes mas dispostas, sadios preguiçosos, sadios empreendedores, sadios com vocação para obedecer ordens, sadios para dar as ordens. Existem milhares ou milhões de combinações de características individuais que produzem esta variedade enorme de pessoas que vivem à nossa volta.

A cura para a síndrome

Para se livrar da síndrome, pense nisto, uma verdade simples da natureza: as pessoas não são iguais em seu ânimo, em suas impressões do mundo, em suas manifestações filosóficas e psicológicas.

Nenhuma doutrina, nenhuma lei, nenhum regime político vai igualar as pessoas, a não ser que promova uma lavagem cerebral coletiva em um povo específico.

Não se culpe se tem mais que os outros, nem se revolte em ter menos que alguns. A natureza foi soberana ao criar a humanidade, e gravou em seu DNA como você seria.

E se você tem pouco, procure se esforçar, trabalhar, vença suas fraquezas, aprenda a controlar suas angústias, e procure um consultório de psicologia, e não um partido político.





quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Fenomenologia do Partidarismo

A proximidade das eleições e a atividade frenética do público em torno das ideias apresentadas, das ideologias propostas e das disputas verbais tem se tornado extremamente férteis mpara nós, psicólogas e psicólogos.

Forças psíquicas mobilizadas

Basicamente, o Partidarismo exacerbado mobiliza as forças da Identidade e da Autoridade. A Autoridade que promove a atração para o seu partido não precisa, necessariamente, ser forte. Apenas precisa ser mais forte que a "self-autoridade" que o indivíduo tem sobre si mesmo através da formação adequada de sua Identidade. Este é o princípio do equilíbrio destas duas forças.

À frente do Oráculo de Delfos, na Grécia antiga, havia a mais esclarecedora das frases a respeitop da Identidade:

CONHECE-TE A TI MESMO

Acrescente a isto a famosa frase de Hamlet:

SER OU NÃO SER, EIS A QUESTÃO

Identidade envolve, portanto, Julgamento e Decisão. Erroneamente se confunde Identidade com auto-conhecimento apenas. Identidade, uma fusão de caráter com personalidade, possui o ingrediente do Julgamento. Em determinado momento da vida, o indivíduo vai decidir se vai ser um Figurante no enredo da história da vida, ou um Protagonista desta história.

O mundo está repleto de figurantes, sem personalidade, com personalidade "muletada" na Identidade de outro, com alternância de personalidade, com dupla personalidade ou personalidade herdada (dispensando a "muleta" de outro). E destes, podemos tirar elementos comuns, chamados de Discípulo (que adquire uma doutrina e a compreende) ou Seguidor (cego, fanático).

A submissão

Uma vez não tendo uma Identidade definida, o Seguidor pode desenvolver uma Personalidade baseada no único interesse de sobrevivência na sociedade, e passará a carregar um "estandarte" de alguma legenda reconhecida pela sociedade, por sua virtude ou pelo respeito que inspira. As finalidades da legenda não interessam. Interessa apenas que este indivíduo psicologicamente incapaz, seja reconhecido.

Para tal indivíduo serve tanto o pertencimento a uma quadrilha de criminosos, quanto o pertencimento a um time de futebol famoso ou o pertencimento a um Partido numeroso e conhecido, amado ou temido.

Nesta modalidade, o valor individual se confunde com o grupo. Para reforçar, este espécime vai procurar andar com algo em seu corpo que possa identificá-lo como membro daquele grupo, time, partido ou instituição. "Folha carimbada se torna oficial".

Sinais do Partidarismo fanático

Por vantagem, ou por genuína fraqueza, o indivíduo de que tratamos pode se tornar inteiramente dedicado aquele em que apoia sua personalidade. Passa a defendê-lo, esteja ele certo ou errado, sendo inocente ou culpado. A gravidade do fenômeno se mostra quando o Seguidor é intelectualmente superior em instrução ao elemento que dita sua personalidade.

Na América Latina isto é particularmente percebível. Caudilhos absolutamente sem formação e sem cultura provocam a admiração de seus seguidores, mesmo sendo perversos, fascistas e bem ignorantes.

O natural é o Seguidor escolher alguém, pelo princípio da Autoridade, superior a si mesmo em conhecimento, em fluidez de raciocínio e em habilidade de proferir julgamentos sábios.

 Por que, então, os latino-americanos seguem os fracos, ao invés dos mais capacitados ? 

O Princípio da Autoridade explica isto, facilmente. Seguem justamente porque este líder fraco não lhes fere o orgulho. É o jogo do "engana dois". O líder incompetente se sente grande tendo seguidores. O seguidor se sente resguardado da superioridade efetiva, ou seja, no fundo sabe que é superior ao líder. Em outras palavras, vaidade do lado do líder e do liderado. O liderado ainda se sente um pouco poderoso ao líder, mas não declara isto a ninguém. Venerando o líder está massageando o próprio ego.

Concluindo

O Partidarismo sectário é consequência de construção defeituosa da personalidade e cria um monstro no líder incompetente. Muitos brasileiros, em manifestações, se declaram apartidários, pois perceberam a fraqueza de seus líderes, pessoas superficiais e sem expressão, mas que querem poder para alimentar a própria vaidade e suas contas bancárias.

sábado, 13 de outubro de 2018

Fantasia política - Perdendo a razão - Eleições 2018

Em texto anterior, procurei mostrar como o mergulho na política, só mais uma das "ilhas" da fantasia do indivíduo, pode transpor os limites sociais para enveredar em uma loucura controlada, aceita pelos outros.

Conhecimento e Razão

De suas experiências, bem ou mal sucedidas, tira o ser humano o seu Conhecimento Pessoal. Este Conhecimento Pessoal se une ao Conhecimento Social e ao Conhecimento Histórico.

Mas existe um Conhecimento Basal, Primitivo, algo como:


  • Os objetos caem para baixo;
  • A luz provoca sombra;
  • O ser humano enxerga somente o que está a frente;
  • Pessoas tem dois braços;
  • Nascemos e vamos morrer;
  • Meus pais normalmente vão morrer antes de mim;
  • Falar é fácil, fazer é mais difícil;
  • O natural do ser e dos objetos é a inércia;
  • Meus pais me amam;
  • Pessoas possuem empatia umas pelas outras;
  • O comportamento pessoal é um. O coletivo é outro;
  • Existe justiça, mesmo que tardia;
  • Alguém vai me amar;
  • Alguém vai me odiar;


A Razão espera estes tipos de manifestações naturais. Podem acontecer eventos que provoquem pequenos desvios:

Desvios do natural

Objetos podem "cair" para cima, se arremessados. Porém, sem força aplicada o objeto cai naturalmente. Retrovisores foram inventados para enxergar o que está atrás de nós, com os olhos virados para a frente. Pessoas podem perder não só um, como os dois braços em um acidente. Podemos morrer antes de nossos pais, de doenças ou de acidentes, mas a ordem natural é bem conhecida (tanto que a morte de filhos provoca imensa tristeza nos pais). Podem existir pais que não amam os filhos, mas o contrário é o natural. Pessoas com problemas psíquicos podem não ter empatia pelos outros.

Psicologia e Razão

Por que nasceu o estudo da Psicologia ? Porque se observou que, devido a traumas, fatos que excederam os limites da razão, fizeram com que alguns indivíduos apresentassem a crença de que a tabela do razoável não estava sendo obedecida em suas vidas, em um ou mais itens.

Um dos fatores que pode provocar desvios nesta tabela, é a opinião dos outros. Existe uma derivação da Opinião que podemos chamar de Indução (opinião proposital dos outros com o fim de influenciar alguém). Outra derivação é a Opinião Mórbida.

A Opinião Mórbida é um senso comum dos homens que os atrai para o pior. A pessoa vê um objeto que tem a aparência de estar pesado, pendurado por uma corda, e logo imagina que o objeto Pode cair. Em um nível mais grave, a pessoa imagina que o objeto VAI cair. A morbidez é natural no ser humano. Os jovens tem uma atração MÓRBIDA por filmes de terror. Vejam o caso dos filmes das séries Sexta Feira 13, Jogos Mortais, Pânico, Invocação do Mal, Exorcista e outros. Existem jovens que assistem a estes filmes e suas versões posteriores mais de uma vez.

Política e Razão

O que vou expor a seguir, na minha opinião, não deveria estar acontecendo com as pessoas, mas demonstra uma falha de amadurecimento da Razão muito fora do comum.

Em vista das vivências ou do volume de conhecimento coletado pela humanidade, o ser humano deveria estar cada vez mais razoávelem suas avaliações. A história universal já mostrou numerosas situações pelas quais a humanidade, como um coletivo, já passou.

Mas o fenômeno parece, a princípio, aparece ser genuinamente brasileiro.

Para nós psicólogos, a situação política brasileira é um "locus" de experimentação de uma situação bem crítica. O candidato à presidência Bolsonaro é como um monstro homofóbico, femeofóbico, bandidofóbico, negrofóbico, que cospe (não fala) fogo (não palavras) pelos microfones que lhe dão.

Para nós, o objeto de análise não é ele, por incrível que pareça, pois tipos como ele existem aos montes no meio de nossa população, escondidos por uma máscara de hipocrisia. O objeto de nossa análise está sendo o povo que o observa, que o ouve, que o execra, que o xinga.

Já analisamos o fenômeno do #Elenão. Agora vamos para aquela fronteira entre a Razão e a Fantasia Política, porque é Fantasia, como demonstraremos.

Faça esta pergunta a quem tem medo, ojeriza do candidato:

"Se for eleito, depois de tomar posse, você crê que Jair Bolsonaro vai colocar os homossexuais em uma prisão ?"

"Se for eleito, depois de tomar posse, você crê que Jair Bolsonaro vai colocar os negros em uma prisão ?"

"Se for eleito, depois de tomar posse, você crê que Jair Bolsonaro vai colocar as mulheres novamente submissas ao Pai ou ao Marido ?"

Este artigo não tem conclusão. Apenas me envergonho de ter que fazer, no século XXI, depois que o Brasil passou por tantas dificuldades, precisando se recuperar, ter que fazer perguntas como estas.