sábado, 3 de fevereiro de 2018

Liderança e Tomada de Decisões

Com a proliferação de cursos e palestras, ministrados por todo e qualquer tipo de pessoa, utilizando discursos fáceis e insípidos, a discussão sobre Liderança, importantíssima para nossa sociedade industrial e institucionalizada se banalizou, e prejudicou seriamente as relações entre gestores e seus subordinados. Dominam as frases rimadas sem conteúdo, frases de efeito, e o senso comum no mais alto grau, pois na cartilha dos palestrantes está o primeiro axioma do locutor bem sucedido:

Deve-se dizer aquilo que o ouvinte consegue entender.

As pessoas estão sem paciência de pensar, então o conhecimento transmitido deve ser o mais ralo possível.

Liderança e ascensão

Na busca por uma melhoria salarial, mesmo jovens, imaturas e sem vocação, as pessoas estão buscando a liderança, os cargos, pois é mais rápido do que mostrar a sua capacidade e galgar os patamares salariais legítimos e que exigem esforço. Muitos estão assumindo lideranças sem a mínima vivência e capacidade.

Condições para assumir a Liderança

A Imaturidade, fruto ou não da falta de vivência, de alguém que chegou a um posto de liderança leva à criação constante de conflitos, pois a pessoa em questão não atende aos requisitos a seguir:


  • A pessoa entende e sabe fazer o trabalho;
  • A pessoa entende, não sabe fazer, mas sabe delegar com confiança no subordinado;
  • A pessoa é capaz de entender os vários processos da área que assumiu, pois tem capacidade intelectual e fortes princípios teóricos que a fazem capaz de entender;
  • A pessoa não possui o entendimento necessário para entender os processos da área, mas identifica e respeita quem o faz, na área que assumiu. Sua capacidade emocional é suficiente para liderar sem oprimir os empregados devido à insegurança que o desconhecimento temporário dos processos lhe poderia provocar;
  • Seu histórico de trabalho não possui eventos de opressão sobre empregados e nem de conspiração contra estes;
  • A pessoa sabe escolher parceiros com quem trabalhar;
  • A pessoa sabe mostrar falhas sem desvalorizar seus subordinados;
  • A pessoa não emite juízos sobre os empregados, pois sabe controlar o que fala, onde fala e quando fala;


Diante destes requisitos, os candidatos a liderança poderiam desanimar completamente. Estes requisitos são mais comumente encontrados em pessoas acima de 50 anos. Mas justamente a sociedade brasileira quer apostar nos mais novos, acreditando que estes, devido ao fato de provavelmente estarem mais saudáveis, suportarão ser mais exigidos.

Antes, saber obedecer

Uma história sadia e que traria boa vivência ao aspirante a cargos de liderança seria ele ter experiências anteriores com gerentes ruins. Alguém disposto a ter esta vivência aprenderia muito, principalmente se obedecesse, sem conspirar e se utilizar de subterfúgios para sobreviver. Nada de contar com a ajuda de um padrinho para contar com o beneplácito do mau gerente. Tem que ter a coragem e a resistência de passar por este mau período. Assim se forma um bom gestor.

Uma formação militar tem este aspecto de obediência, mas deve ser encarada com reservas, pois empresas não são como instituições militares 100%. Existe certo componente desta natureza na hierarquia das empresas e na ênfase no lucro, exagerada em nossos últimos tempos.

Nossos jovens entre 14 e 25 anos não estão tolerando o mando, a autoridade, objetivos, submissão, ordem e trabalho em equipe. Portanto, será muito difícil que eles tolerem a autoridade, ou possam exercer uma liderança. O material humano que passa pelos consultórios está contaminado por estes fatores, de forma flagrante.

Conclusão

Não quisemos, aqui, oferecer uma fórmula pronta de liderança. São numerosas as terapias e dinâmicas para se formar um líder com alguns dos requisitos básicos citados. Os outros podem ser desenvolvidos, e os primeiros aperfeiçoados. Não existe curso para prover maturidade, e sim condicionamento. Torna-se perigoso para o que não possui maturidade, mas é condicionado, exercer uma liderança, pois cedo ou tarde sua real personalidade vai aflorar, e ele vai perder o que conquistou.

Deixo para o leitor se manifestar com suas dúvidas, que eu as responderei com prazer.

2 comentários:

  1. Trabalho há muitos anos em empresa do governo, empresa grande. Nossos gerentes mais velhos aposentaram. A empresa tem concurso interno, e entrou um monte de carinhas novos prá substituir.

    O que está acontecendo é que estão fazendo tudo errado. Pedidos de financiamento estão voltando. Alguns serviços que eles não entenderam como funcionava, ou que não querem fazer, simplesmente tiraram.

    Agora a empresa é constantemente acionada na justiça, que está cobrando alguns dos relatórios que foram mortos no meio destes serviços que a empresa parou de fazer. Tá uma trocação de chefe, como se isto adiantasse alguma coisa, pois estes que entram não dominam o serviço, não fizeram curso de administração, e chegamos ao absurdo de ter uns que não saberem calcular percentual, juros, taxa interna de retorno. Um absurdo.

    O papo de sangue novo é muito bom quando o sangue vem de um exame que mostra que não tem anemia. Os gerentes novos, deslumbrados, tem "anemia gerencial".

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  2. Ivênio, sua opinião pode ser bem sintetizada pela expressão "anemia gerencial". Achei ótima. É justamente isto. No tempo do "coaching", temos ótimos "atletas gerenciais", mas que não sabem interpretar, controlar, julgar e resolver problemas. É tudo cosmética administrativa.

    Existem outros intuitos inconfessáveis por detrás da contratação de gente nova, como a redução de salários, o rompimento dos grupos de influência, a facilidade de mandar no recém chegado e uma espécie de libertação das correntes que os empregados antigos, experientes e críticos, impõem aos gestores, pois afinal conhecem o serviço de longa data. Com a partida dos "macacos velhos", fica fácil dar ordens.

    Quem sofre é a empresa.

    Obrigada pelo seu comentário.

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