sábado, 4 de agosto de 2018

Vamos falar de Igualdade e de Liberdade

O século se iniciou com a discussão incessante sobre a aceitação da Diversidade. Os indivíduos, tomados fora dos grupos, tem formas de Pensamento e de Manifestação diferentes.

Frente à esta Diversidade, como podemos falar de Igualdade ? A Diversidade dos indivíduos contradiz a Igualdade de direitos ?

Para entender a conjunção entre Diversidade e Igualdade, basta especificar os contextos. A Diversidade se aplica ao Indivíduo tomado sozinho. A Igualdade, por outro lado, se aplica aos indivíduos quando reunidos em grupos de interesses comuns ou à sociedade como um todo. Mas quando reunidos em grupos ou multidão, os comportamentos individuais podem sumir por completo, com manifestações temerárias e imprevisíveis.

Portanto, uma coisa é a abordagem individual, e outra muuito diferente é a coletiva, grupal, tribal. 

Como já discutimos no texto "A iniciativa própria do indivíduo - Identidade", cada pessoa desenvolve iniciativas próprias segundo o conjunto de valores que vai coletando dos fatos e eventos que ocorrem no enredo de sua vida.

Vamos relembrar de onde vieram as ideias de Igualdade e de Liberdade na História da Humanidade. Quero esclarecer que é a primeira vez que vejo a necessidade de entrar na discussão histórica para compreender a psicologia do ser humano.

A Revolução Francesa

Nas escolas ainda se estuda um dos mais importantes eventos históricos da humanidade: a Revolução Francesa.

Já prestem bem a atenção na denominação Revolução Francesa. Não foi dito Revolução Inglesa, Revolução Russa, Revolução Espanhola. Pela sua denominação se vê que foi um evento com características peculiares. O mundo em volta importou seus anseios, mas não compreendeu que esta Revolução teve um contexto que não podia ser exportado para outras nações em sua integralidade. É como se um deprimido tentasse utilizar a mesma solução encontrada pelo seu irmão, amigo ou vizinho para a própria depressão.

O núcleo motivacional desta Revolução foi a escravização econômica da monarquia sobre a massa da população. Não falamos cidadãos, porque não eram. E nem falamos franceses, pois não eram cidadãos. Era só um povo dentro das fronteiras francesas. E tudo tinha uma razão de ser. Os conselheiros dos reis, junto com os nobres, pretendiam controlar as massas pela ... fome. O estômago vazio detém o ímpeto de fazer qualquer esforço para mudar as coisas. A fome pode despertar um impulso agressivo para sobrevivência individual, mas não do grupo. A fome é egoísta, e nunca altruísta.

E o povo, instigado pelos teóricos do Iluminismo, e liderado pelos interessados em transferir o poder para suas próprias mãos, tomou a Bastilha, famosa prisão dos discordantes da monarquia, pois

NINGUÉM TOMA O PODER PARA ACABAR COM ELE

O ser humano se revela muito inocente quando apoia alguém que quer "mudar as coisas", mas está ligado a grupos que tem interesses na tomada do poder. Os piores teóricos das "mudanças" são os que dizem que estão interessados no povo. Os indivíduos, tomados como coletivo, são muito fáceis de serem convencidos com argumentos falaciosos, principalmente com estes de que falamos: Igualdade e Liberdade.

É importante lembrar que um dos produtos importantes desta revolução foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

A França para os franceses

Quando os franceses fizeram a sua revolução, instigados pelos interesses de quem pensava, e queria o poder para si, eles estavam pensando em constituir uma nação para todos viverem bem, com Igualdade. Já os teóricos e promotores da Revolução o objetivo era tomar o poder. A prova disto é a matança que se seguiu, com muitas cabeças rolando das lâminas das guilhotinas.

A transformação social que se segue a um longo período de dominação é sempre brusca e violenta. É necessária ? Bem, será que os grupos dominantes vão entregar o seu poder de forma amigável, negociada e pacífica ? Uma coisa é negociar com criminosos cercados pela Polícia em uma casa. Outra é uma massa de gente oprimida tentar negociar com seus opressores, que detém o poder de Polícia e Autoridade.

Não fosse pela força e pela mobilização, a França estaria na monarquia dominadora até hoje.

Mas o povo francês não queria Liberdade e Igualdade ? O terror que se seguiu não expressava Liberdade. E o fato de um grupo governar com mão de ferro não produziu Igualdade. E a Revolução fracassou por isso ?

Retornemos às nossas vidas pessoais. Se algo importante, significativo não acontecer na sua vida, você vai querer sair de sua inércia ?

Foi isto que aconteceu na França. O período de opressão e terror promovido pelos revolucionários mudou o estado de coisas. E a Revolução Francesa influenciou os outros países.

A Igualdade Francesa

Se você já foi à França, ou ouviu os relatos de quem já foi lá, já deve ter ciência de como os franceses tratam turistas ou não franceses. Quando descobrem que você não é francês, não dão informações, viram a cara e vão embora. Te deixam na mão.

E a Igualdade Francesa ? É só para franceses. Você pode querer liberdade entre seus iguais, no meio do seu povo, no meio da sua nação, mas um brasileiro entre franceses é um pária. Os religiosos judeus, mesmo franceses, mesmo tendo nascido lá, são xingados e podem ser agredidos pelo povo na rua neste país tão celebrado. Eles andam nas ruas em passo acelerado para evitar agressões. E a Igualdade ? Igualdade só para franceses na França.

Os teóricos da Igualdade só pensaram em si. O resto do mundo é outra conversa.

É o retrato da hipocrisia humana. E lembremos que eles redigiram e aprovaram a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

Igualdade Econômica

Como podemos ter igualdade econômica, se uns se confessam preguiçosos e fracos ? Como ter igualdade quando algumas mulheres aguardam um homem que as sustente ? Como promover igualdade quando empresários revelam suas táticas para enganar clientes e obter lucro ? Como vamos atingir a igualdade com pessoas que aguardam favores de políticos para suprir sua fraqueza e incapacidade para o trabalho ?

Então uns vão trabalhar para sustentar os outros ?

Portanto, é racional clamar por Igualdade econômica ?

Hoje, tenho minhas dúvidas. Com pessoas tão diferentes em seu ânimo, em suas aspirações, em sua disposição, duvido muito, e encaro este tipo de Igualdade como discurso vazio, promovido pelos fracos, para que os fortes trabalhem para eles.

Conclusão

Mexemos com material humano. Humanos são diferentes. Alguns conseguiram, com seu esforço, dom da natureza, mais que os outros. Outros tentam, com conceitos, superar sua fraqueza para o trabalho, e convencem os outros a trabalhar para sustentá-los. É uma espécie de roubo existencial.

As pessoas precisam trabalhar. É uma das melhores expressões de Igualdade. TODOS deveriam IGUALMENTE trabalhar para se sustentar, e não ficar inventando teorias que os beneficiem economicamente.

Outra conclusão é a de que a Europa quer empurrar goela abaixo dos brasileiros as teses que não conseguiram realizar. Eles são bem recebidos aqui, mas nós somos mal recebidos lá.




domingo, 13 de maio de 2018

O bem estar social traz a paz ?

No início dos governos populares (Lula e Dilma) eu mesma estava muito esperançosa. A realização desta esperança seria, no âmbito da minha atividade de orientar as pessoas no terreno da psiquê, a meu ver, uma maior detecção de ânimo e de otimismo frente a uma situação social que pretendia ser arrumada. Em outras palavras, melhorada a condição social, haveria melhoria na qualidade das condições psicológicas das pessoas que frequentavam (em muitos casos a palavra é esta mesma) meu consultório.

Como possuo convênios, também esperava um aumento no número de pacientes de baixa renda, para virem ao consultório compreender seus problemas internos, agora que as condições econômicas melhoravam para esta classe.

Mas, à medida em que o tempo foi passando, e o número de pacientes realmente veio aumentando, pude botar fenômenos estranhos e diversos do que eu esperava. Aqueles que já frequentavam o consultório, passaram a narrar não mais as suas dificuldades (como era esperado), mas pequenos conflitos fúteis da vida cotidiana, mais próximo do terreno da agressividade. Agora que a situação econômica ficara satisfatória, as preocupações se deslocaram para briguinhas com colegas de trabalho, antagonismos, competitividade desenfreada, e problemas semelhantes.

Eu esperava uma maior preocupação com o crescimento interno que as próprias pessoas teriam, melhorada a situação econômica. O fenômeno também veio misturado com a chegada das redes sociais e suas consequências. Os pacientes, volta e meia, ameaçavam tomar atitudes agressivas com aqueles que atingissem, mesmo de maneira bem leve, seu orgulho, sua opinião e suas convicções.

Índices de Violência

A estatística da violência,.ao invés de diminuir, veio aumentando de 2005 a 2015, segundo o IPEA (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada), apesar da melhoria das condições sócio-econômicas. Isto tem dois componentes: a maneira como foi formada a "civilização" brasileira e os valores que ela deveria buscar e não busca.

Como poderíamos nos afastar do tema, não vamos nos aprofundar na Sociologia, mas tão somente procurar achar as razões no indivíduo.

Enquanto o indivíduo está preocupado com a sua sobrevivência, sua cabeça fica ocupada, quase 100% do tempo, em obter os recursos econômicos para satisfazer as suas necessidades básicas. Quando esta preocupação se acaba, ele procura reforçar o seu amor-próprio (no caso mais evoluído) ou a sua capacidade de crescer profissionalmente (foco na carreira) ou então procura valores que reforçem, pura e simplesmente, o seu ego.

Traduzindo este enunciado para a sabedoria de nossos avós, temos o ditado dos antigos:

CABEÇA DESOCUPADA, OFICINA DO CAPETA

 É triste constatar que toda a ciência psicológica, mesmo com o auxílio da estatística e dos pós-doutorados, chegue apenas naquilo que a sabedoria popular, por pura observação, já vem dizendo há anos.

Depois que os brasileiros se libertaram da sua preocupação sócio-econômica, passaram a procurar propósitos banais para a sua vida cotidiana.

O importante é ser feliz

As novas gerações estão se preocupando, depois de ter o que comer e vestir, com aquilo que as deixa feliz. A carreira de sucesso, o conforto desmedido e obter fortuna, deixaram de ser preocupação. Isto pode ser facilmente constatado na geração denominada de "Milenium", ou seja, os nascidos nos anos 2000, com raras exceções. Os jovens que passam pelos consultórios não se preocupam mais com o seu futuro profissional, e nem sequer com o econômico. Eles afirmam:

EU QUERO FAZER APENAS O QUE ME DEIXA FELIZ

Isto diferencia os jovens de 1940 a 1980, cuja ênfase, no pensamento, era a carreira. Ter sucesso e dinheiro para viver bem.

Não gosto deste chavão de que as novelas são as culpadas, mas posso dizer que elas contribuíram enormemente para a difusão deste tipo de pensamento. Preocupadas em mostrar os excessos de determinadas atitudes das pessoas competitivas, elas acabaram por reprovar completamente o benefício de uma atitude de preocupação com o futuro econômico pessoal e com a carreira, por consequência.

Conclusões

A melhoria das condições sociais é um fenômeno coletivo, promovido pelo estado, e não tem consequência obrigatória nas avaliações e na ótica dos indivíduos. Como já mostramos aqui, as escolhas dos indivíduos é que determinam o caminho que vão seguir (Escolha Individual).

Indivíduos de personalidade fraca pautam suas escolhas com base em fenômenos sociológicos, e é isto que estamos observando ao longo destes últimos 8 anos, em relação ao fator combinado das melhorias sócio-econômicas.

A solução é o reforço dos valores individuais combinados à preocupação com o coletivo.

sábado, 28 de abril de 2018

A guerrilha de 1970 no Brasil - Fenomenologia adolescente

Foram necessários muitos anos de meditação no assunto. Vejam, o período a que todos chamam de Ditadura Militar veio de 1964 à 1980, diminuindo gradativamente de intensidade, e sendo alvo de interpretações políticas e sociais.

Hoje eu posso dizer, baseada na análise dos que tinham por volta de 22 anos de idade (em média), e dos filhos destes mesmos pacientes que, certamente, este movimento de guerrilha, a propósito de luta contra a Ditadura, nada teve de político. Este movimento mal interpretado teve características sociais temporalmente localizadas em torno de um movimento específico peculiar a uma geração.

Adolescência

Todos nós sabemos que o período da Adolescência é pautado pelo seguimento de uma tendência. No bojo dos eventos sociais de uma época, os jovens aderem a uma Filosofia, Ideologia ou Ideal Social que esteja em evidência no momento.

Vamos citar um exemplo que se constitui em um excesso, e que está ocorrendo na Europa, para mostrar o ímpeto da juventude. Jovens Belgas, Noruegueses, Franceses, Alemães e de várias outras nacionalidades, INCLUINDO ALGUNS BRASILEIROS, se tornaram muçulmanos, e foram fazer parte do ISIS (Exército Islâmico). Os "filósofos" de nossa época interpretaram isto como uma espécie de simpatia pela luta dos palestinos. Ledo engano.

Quem interpreta esta tendência está ignorando aquilo que move um jovem na adolescência, que é a busca por EMOÇÕES e pelo PERIGO, em vista da conclusão tardia dos centros de planejamento e crítica apurada, característica da idade, e que fisiologicamente se encontra na parte frontal do córtex do ser humano.

A adolescência é caracterizada pela busca de esportes e atividades perigosas, pela falta de conhecimento dos diversos tipos e graus de consequências de nossos atos. O sujeito está aprendendo, ainda, a avaliar a sequência integral de cada atividade humana e de suas implicações para o futuro.

O fenômeno dos anos 1970

Qual era o contexto social, no Brasil, nesta década ? A sociedade estava sob o peso de uma autoridade identificada como Ditatorial. O jovem tem uma veia natural de antagonismo frente às autoridades. A ideologia de resistência foi levada ao nível de OPOSIÇÃO. E a oposição ideológica não bastava, pois o rótulo de "Ditadura Militar" era amplamente divulgado, com propósitos bem claros, pela esquerda brasileira. Portanto, esta oposição passou ao nível de exigência de uma OPOSIÇÃO ARMADA.

Eu costumo comparar esta oposição armada como um prenúncio do jogo de "Counter-strike" (videogame onde um grupo da lei luta contra os terroristas), bem popular nos anos 1990. Jovens sem preparo se armaram para tentar combater integrantes das forças armadas, ou seja, amadores contra profissionais.

TUDO FOI APENAS UM JOGO, pois o jovem ainda não deixou completamente o mundo da fantasia para se integrar à realidade, e repito: isto só se concretiza quando o Córtex pré-frontal conclui o seu desenvolvimento.

Nos dias de hoje

Hoje, esta veia agressiva encontra seu meio catártico no jogo de GTA (videogame em que o jogador adquire armas, rouba veículos e pode atirar em qualquer um com armas pesadas, inclusive contra a polícia), e em outros jogos de guerra, como Call of Duty, Fortnite e Rainbow Siege.

Tremo só de pensar em uma situação como a atual, em que são descobertos vários políticos corruptos, em que não tivéssemos estes jogos em que estes jovens pudessem descarregar a sua agressividade natural. Poderíamos ter uma sequência de assassinatos por parte destes. Se vocês acham que esta especulação é um exagero, basta citar os casos em que vítimas de bullying levaram a cabo suas intenções agressivas, num nível individual. E se um jovem, sem instrumentos de escapismo, julgar que estes políticos prejudicaram ou estão prejudicando, objetivamente, suas famílias. O que poderia acontecer ?

Diagnóstico

Portanto, pelos argumentos que colocamos, podemos concluir que o fenômeno dos anos 1970 foi consequência dos arroubos adolescentes. Também podemos acrescentar que os jogos ditos violentos, na maioria dos casos, ajudam a descarregar esta agressividade.

domingo, 22 de abril de 2018

A iniciativa própria do indivíduo - Identidade

Um dos questionamentos mais frequentes de um número enorme de pessoas que estamos analisando revela seus anseios em perguntas como:

  • Por que o mundo é injusto ?
  • Por que as coisas tem que ser assim, como se apresentam ?
  • Por que existe tanta maldade e corrupção ?
  • Por que os outros não me entendem ?
  • Por que não aparece um emprego como eu desejo ?
  • Por que não sou escolhido nas entrevistas ?
  • Por que não sou reconhecido na minha função ?

A falta de compreensão destes questionamentos tem levado as pessoas à depressão.

O trabalho em equipe

Antes de continuarmos, acrescentemos aquilo que se tornou "politicamente correto" na pesquisa científica. Dos anos 1950 para cá, foi enfatizado, na ciência, o trabalho em equipe. E isto teve uma razão "político comportamental". Era difícil lidar com o pesquisador solitário, excessivamente talentoso e, por vezes, correspondentemente, excessivamente temperamental. Por esta razão foi estabelecido o trabalho em equipe. No entanto, quem já lidou com equipes de mais de três pessoas já sentiu na pele a imensa dificuldade de lidar com a competição interna entre os integrantes. E existe o perigo gravíssimo da espionagem industrial, pois o ser humano é muito suscetível aos "incentivos financeiros". Quem quiser conferir basta pesquisar "espionagem industrial" no Google, e vai ficar estarrecido:

Alguns casos

É mais fácil lidar com pesquisa do que com egos humanos.

O valor individual

Todos nós, por termos nascido diferentes, podemos, inevitavelmente, apresentar um dom. A pessoa tem que perceber qual é o seu dom, e isto só é possível a partir do "cultivo" de sua individualidade em atividades construtivas, evitando a sua "absorção na massa popular". Não é preciso dizer que, hoje em dia, quanto mais comunicação e, por consequência, influências recebidas, o ser humano (ainda não diremos indivíduo) tende a ser, cada vez menos, ele mesmo.

Um exemplo claro é o Facebook. Ali se vê, clara e limpidamente, a vontade irresistível de obter aprovação dos "amigos". Esta é a influência prejudicial destas Redes Sociais. Estas, assim como a sociedade, que vem pregando de forma indiscriminada e irresponsável, a Igualdade, agem como uma espécie de Patrulha Social, esmagando de forma quase ditatorial, o Valor Individual.

Maiores detalhes em post anterior (Rede Social, nova Censura).

O valor individual, nas empresas, agora, tornou-se um problema. Suscitou-se a Ética, a Equidade, as Ideologias ainda mal delineadas de gênero, ideias de proteção ao indivíduo, ideias de proteção ao meio-ambiente, e esqueceu-se da Individualidade. Não existem mais profissionais capazes de lidar com a individualidade. Isto é particularmente percebidos nas escolas. Aluno diferente, com um pouco de desajuste, por muitas vezes devido a um talento que não aceita a massificação, é imediatamente discriminado. Os próprios coordenadores, pregadores da não discriminação, agem com verdadeira e desumana discriminação em relação a quem não está na média.

Lembrem, os leitores, que média é o limite de vivência dos medíocres. Como as normas e regras vem da maioria, e a maioria reside na média, produzimos regulamentos e regras MEDÍOCRES.

E então, os fomentadores de pesquisas, em nosso país, bem como os industriais, reclamam que tem cargos, mas não encontram gente capacitada. Claro, a sociedade cuidou de criar um ambiente excessivamente medíocre, injetando na cabeça das pessoas, à força, ideologias que refletem o pensamento medíocre, da média, da maioria. E ainda tem coragem de dizer que isto é democrático. Acredito que a doença é democrática, atinge a todos, mas os remédios para a sua cura vem da cabeça de poucos. Se não fosse assim, imediatamente surgida a doença teríamos várias pessoas propondo, "democraticamente", a sua cura eficaz.

Não temos mais ambiente propício ao desenvolvimento de talentos individuais. Mas não citei ainda todos os agravantes. Existe algo muito pior no pensamento político dos países de terceiro mundo, que se chama ...

Socialismo

Para o escopo de uma discussão no terreno psicológico, apresentamos este sistema político como A FALSA RESPOSTA ÀS PERGUNTAS FEITAS NO INÍCIO DESTE ARTIGO (vejam acima).

A principal pergunta "Por que os outros não me entendem ?" se dá no terreno individual. Se o indivíduo se misturar à massa, seguir os seus bordões, fazer o que os outros fazem, ou fazer aquilo que vai agradar aos outros, como se estivesse sendo monitorado, ele será entendido. Desta forma, o indivíduo abre mão do seu bem mais precioso (sua opinião, seu dom, sua convicção de verdade), dando o seu direito ao coletivo, para tentar ser feliz. Existe um ditado corrupto, fruto dos meios de comunicação de massa, que diz:

Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.

Existem limites para se ter razão, que vão até uma defesa extremamente irracional do próprio ponto de vista, que serve apenas ao ego, Não estamos indo até este extremo. Estamos indo apenas até o ponto da coragem de se colocar o seu ponto de vista, de forma racional e abalizada.

No entanto, as ideologias politicamente corretas querem fazer as pessoas largarem até o seu ponto de vista para serem ROBÔS FELIZES, que agradam à massa medíocre.

Como o socialismo ajuda a manter esta mediocridade, que mata o valor individual ? Basta observar as invasões de propriedade. Segundo esta doutrina perversa do socialismo, quem tem muito tem que repartir com que tem pouco. Mas agora chegamos ao ponto. Excetuando os meios ilícitos de que a pessoa pode se valer, como o jogo de influências e a violência, que motivos temos para CONDENAR AQUELE QUE, POR ESFORÇO PRÓPRIO CONSEGUIU ADQUIRIR MAIS QUE A MAIORIA ?

Pense na forma mais antiga de expressão do Socialismo: a Inveja. A inveja foi expressa real ou "legendariamente", na história mais antiga da Bíblia: a história de Caim e Abel. Psicologicamente posso classificar o Socialismo, quando o objeto de observação é alguém que adquiriu o que tem, de forma honesta, como INVEJA SOCIAL.

A pessoa abre um restaurante, por exemplo, e seu negócio cresce, sua marca é reconhecida, e logo ela estabelece uma rede de alimentação. Rapidamente, ela suscita a inveja. Pessoas comentam:

Olhe aquele ali. Tinha só um restaurante, Agora tem uma rede, e está cheio do dinheiro.

Este é o comentário daquele que DESPREZA O VALOR INDIVIDUAL. Ele mesmo não se dá o valor, e achando-se incapaz, achando-se desprovido de dons, inveja o dom alheio.

O indivíduo na estatística

A psicologia importou da administração o tratamento pelas estatísticas, apenas para se expor panoramas, e se poder dizer se um fenômeno está tendo abrangência ou se está incipiente.

Mas eu digo, sem medo, que a estatística não se aplica a indivíduos com comportamentos diversos, na forma pela qual está exposto neste artigo. O que ocorre, hoje em dia, é a "diluição" do indivíduo dentro de grupos, rotulados como cereais dentro de caixas.

Quando se diz e se faz grande propaganda, por exemplo, de um candidato que está a frente de pesquisas eleitorais, ignora-se os motivos individuais que levaram o indivíduo a optar por um e por outro, e ainda o fato de que os seres humanos podem mudar de ideia. E acrescentemos a forma como uma pergunta feita afeta o raciocínio de uma pessoa.

Discordo totalmente da "Psicologia Estatística", que tenta ditar comportamentos para as pessoas. É comum, neste país, ouvir pessoas dizendo que não gostam de "perder voto", como se estivessem competindo, ao invés de dar sua opinião.

A triste conclusão

A doutrina de governo, que levou os que estamos vendo no poder, é um veneno social, causador de tristeza, sensação de incapacidade, preguiça e DESTRUIÇÃO SUBLIMINAR DOS VALORES INDIVIDUAIS.

A quem ela interessa ? Aos financiadores daqueles que estarão no poder sob este regime.

E um conselho a cada um (evito dizer todos, pois estaria indo contra o que foi pregado neste artigo) que leu este desabafo: tente descobrir o seu dom pessoal, que vai construir ou reforçar a sua identidade. Não vá atrás da opinião dos outros (conselho dos tempos da minha bisavó).

E por último, se você for atrás de pesquisas eleitorais ou coisas do gênero, você deixará de ser uma pessoa, para se transformar em um dado estatístico.

terça-feira, 3 de abril de 2018

As Redes sociais são a nova Censura

Já se vão mais de 50 anos da deflagração do Período Militar no Brasil, e 37 anos da "Abertura Democrática", parte de um plano estratégico muito bem urdido pelos empresários, banqueiros, CIA e militares brasileiros, para garantir a supremacia do domínio americano no Cone Sul das Américas.

De extremos ...

Os brasileiros, sempre protagonistas de extremos de comportamentos, absorvedores vorazes de modismos e modernidades, e facilmente influenciados pelos ardis dos americanos, rapidamente se entregaram aos apetites repreendidos na impropriamente denominada Ditadura. Nota-se, no comportamento das gerações posteriores a perigosa aversão à Autoridade, seja ela representada pelos pais, pelos professores ou pelos gerentes de empresas.

Podemos comparar este fenômeno da "Abertura" aquele que ocorreu na Libertação dos Escravos. Não é escravo apenas aquele que possui correntes a limitar seus movimentos. Escravo é também o que ACHA QUE ESTÁ LIMITADO EM SUA EXPRESSÃO DE IDEIAS E ANSEIOS. E esta é a sensação imprópria sentida por um grande número de pessoas, dentro ou fora de consultórios de psicologia ou psicanálise.

Repressão sem origem definida

Mesmo jovens que sequer experimentaram o período militar de nossa história parecem estar sob um jugo repressivo. E não é do jugo de seus pais que eles reclamam, mas de um jugo imaginário de uma Sociedade Virtual. Eles sentem uma necessidade doentia de serem aceitos. No passado isto se resumia a um círculo pequeno, da família, colegas de escola e vizinhos. Hoje a necessidade se estende a uma legião de amigos físicos e virtuais das Redes Sociais.

Hoje, se o jovem dá um passo em falso, profere uma frase politicamente incorreta, ou é fotografado na companhia de alguém que a comunidade julga  inadequado, ou exagera em uma simples brincadeira, ele é esmagado por uma campanha pública, dos próprios "amigos virtuais", nas redes sociais que participa. Seus "amigos" se tornaram seus juízes e censores. Logo surgem os adjetivos de "vacilão", "grande FDP", comentários como : "caraca, o que que ce fez", "mano, você exagerou". A estes se segue o cancelamento de dezenas ou centenas de amizades, ameaças e "linchamento virtual". Então constatamos que ...

A Censura voltou mais forte

No governo militar a tortura era física e psicológica, mas os algozes eram poucos. A vítima pelo menos sofria com a convicção que estava com a razão: lutava contra um regime opressor. Mas hoje, se a pessoa "escorrega" nas palavras, ou coloca algo que julgava inocente, mas é reprovada, os torturadores serão seus próprios "amigos" virtuais. Numerosos torturadores. A cela de tortura será o mundo. Onde for será apontado. Seus "amigos" se transformarão em delegados, investigadores e juízes. A pena terá duração indeterminada, até que esqueçam aquilo, ou até que algum conhecido faça uma besteira maior..

Naqueles anos de chumbo, a pessoa sabia o que não podia falar ou fazer. Hoje, qualquer coisa que você falar, sobre algo bem trivial, inocentemente, sinceramente, poderá se transformar em motivo de polêmica.

E existe um agravante. Onde houver um celular ou câmera na mão de um oportunista, poderá haver um flagrante, e a coisa vai ficar bem pior. As pessoas estão vigiando umas às outras, em uma atitude que lembra o comunismo na União Soviética.

Conclusões

Se você critica a "Ditadura" brasileira dos anos 60-70, pense 10 vezes antes de ficar pronto para filmar uma "pegadinha". E finalmente:

CUIDE DA SUA VIDA
 E 
DEIXE OS OUTROS EM PAZ

sexta-feira, 9 de março de 2018

O perigoso senso comum

Esta é a Era das Opiniões. Você pensa que é a Era das Redes Sociais. As redes são ferramentas. Estas propiciaram o surgimento descontrolado de opiniões variadas, com ou sem embasamento, com ou sem comprovação, com ou sem imparcialidade. Por isso chamei de Era das Opiniões.

Reflita sobre esta "democratização da opinião". Uma coisa é proferir juízos sobre as situações que estamos vivendo entre quatro paredes, com familiares, amigos ou colegas. Outra coisa é propagar irresponsavelmente estes juízos para o incalculável público da Internet. Esta propagação irresponsável pode estabelecer um perigoso SENSO COMUM, senso das massas, senso de cunho amador, juízo sem raiz profunda na lógica, na razão e num conhecimento que veio sendo cultivado sequencialmente, com sentido na linha temporal da história da humanidade.

O que é o senso comum

Numa definição bem simples, o Senso Comum é um conjunto de conhecimentos adquiridos dos parentes, dos conhecidos, dos professores e outros entes próximos, que nos possibilita viver sem a necessidade de conhecer as Teorias Formais dos vários ramos da ciência. É como uma "ciência geral do mundo".

Mas não dissemos que este senso não tem " raiz profunda na lógica, na razão e num conhecimento que veio sendo cultivado sequencialmente, com sentido na linha temporal da história da humanidade" ? Nossa família não veio sendo formada em uma linha temporal ? Ela não está inserida na história da humanidade ? Todas as famílias não estão na mesma situação ?

A incerteza e a inexatidão do senso comum residem na forma como nossas famílias viveram em momentos importantes da história. Umas podem ter vivido estes momentos intensamente, e outras superficialmente, enquanto outras simplesmente ficaram alheias aos acontecimentos. É preciso saber qual é o nível crítico e analítico das pessoas que compõem nossas famílias. É preciso saber quanto de suas mentes ficava ocupada com o entretenimento, com o bem estar e com opções de fuga da realidade. Estamos discutindo ...

Engajamento na história

O envolvimento da mente na realidade dita o engajamento no momento histórico que está se estabelecendo, e formando a consciência coletiva. Desta forma, quanto maior for este envolvimento, mais precisa será a Visão de Mundo. O Senso Comum tem a perniciosa característica de fundir conhecimentos genéricos (aqueles absorvidos de quem nos é próximo) com a superfície dos fatos que nos estão sendo apresentados no momento vivido. Isto forma uma "Teoria Simplificada" de como o mundo funciona.

Os ramos do conhecimento humano tem Leis, Normas, Metodologias e Regulamentações que só são absorvidos após muito tempo pelo público em geral, até que se chegue a utilizar expressões verdadeiramente científicas, estabelecidas pelos doutores. Doutores são aqueles que dedicam grande parte de seu tempo a compreender as Leis, estabelecer Normas, utilizando Metodologias e Regulamentações, para dominar um ramo do conhecimento humano. Quem se dedica a um ramo do conhecimento, torna-se um expert neste ramo, quase como se sua cabeça fosse um mecanismo especializado daquele ramo. Um técnico de futebol é um expert desta modalidade de esporte.

Áreas do Conhecimento

Com o acúmulo de conhecimento, pela necessidade de sobrevivência, o homem fez expandir os ramos do conhecimento, em número e em profundidade, e esta especialização chegou até o status que hoje conhecemos pelo nome de CIÊNCIA.

Mas nem a Ciência basta. Os gregos foram os primeiros a querer mais, ou seja, eles adquiriram a pretensão de querer saber a ORIGEM e o SIGNIFICADO da Existência Humana, vejam só. Em busca desses objetivos, os gregos começaram a propor os fundamentos da FILOSOFIA. E quando perceberam que nem todas as respostas para a Existência Humana estavam na Filosofia, os gregos, influenciados pelas culturas vizinhas e constatando que havia algo mais, conceberam a sua Religião, ainda que mais calcada em valores humanos, como podemos perceber no comportamento dos deuses de seu Panteão.

Religião

Os gregos não estavam preparados para uma Religião Espiritual, e sim para uma religião filosófica. Mas devemos louvá-los pelo fato de terem alcançado um patamar religioso, mais que unicamente uma Filosofia. No oriente distante da Grécia, os povos estavam estacionados na Filosofia. Budismo, Xintoísmo e Hinduísmo são mais Filosofias do que propriamente Religião. Buda, por exemplo, é um ser humano cultuado como ícone, que inspira seus seguidores (não adoradores) a seguir uma filosofia, e não uma religião.

Já os hebreus, considerados mais primitivos do que os gregos, não estabeleceram um modo de vida a custa de pura Filosofia, ou de Filosofia religiosa. Eles apresentaram um Deus, totalmente espiritual, até severo em relação aos homens, que lhes exigia um comportamento seriamente ilibado, quase impossível de ser praticado, e que prometia esta espiritualidade aos homens.
E retornando ao senso comum ...
Então, munido de uma mistura dos conhecimentos de parentes, amigos, colegas, conhecimentos dos ramos mais próximos de sua vida, também de um pouco de filosofia e de Religião GERALMENTE MAL COMPREENDIDA, o homem comum estabelece o seu Senso, sua ideia, de vida.

Diagnóstico

E como a maior parte da humanidade não busca a profundidade das ideias, mas apenas aquilo que responde às suas aspirações imediatistas, fruto de uma abordagem preguiçosa dos problemas e da própria vida, o Senso Comum se apresenta, sempre, muito impreciso e prejudicial às situações críticas.

Uma destas situações foi mostrada no episódio bíblico do apedrejamento da prostituta, só evitado por um Jesus atento, que desferiu a poderosa frase: "aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra". Ou seja, Ele evitou uma morte que estava prestes a ser consumada, pois o povo fez seu julgamento unicamente baseado em seu Senso Comum.


sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Aspectos teóricos e objetivos da Autoridade

Em oportunidade anterior abordei a questão da Liderança. Por que fiz isso ?

A psicologia, como qualquer outra atividade profissional, está sendo muito cobrada no auxílio ao Coaching, aos Treinamentos Empresariais e à orientação profissional. Se um profissional quiser ter retorno mais rápido, hoje em dia, basta ele focar no Universo Empresarial. O nosso foco, no entanto, continua sendo o pessoal. O crescimento pessoal acaba fazendo com que toda a sociedade se recupere e passe a funcionar de maneira síncrona.

Por sob a Liderança reside ...

Abaixo da Liderança, no seu pilar mais sólido, aquela substância de sustentação encontra-se entranhada de algo fundamental para a mente humana, aquilo que a faz sadia, aquele "vacina psíquica" para toda a vida: a Autoridade.

Discutir Autoridade se tornou um tabu. O senso comum vem corroendo o significado de Autoridade e modificando-o para que se pense que ela corresponde necessariamente ao Autoritarismo, coisa completamente diversa, apesar de possui semelhança linguística com a primeira e genuína ideia de Autoridade.

A contribuição de Hanna Arendt

Depois de eventos históricos de efeito, graves e de grande repercussão, sempre surgem reações superlativas, com derivações que tendem a transformar situações especiais em regras. Depois da Segunda Guerra Mundial, e PARTICULARMENTE da fracassada Dominação Nazista, Hanna Arendt começou a sua luta contra regimes totalitários.

Mas o fenômeno Nazista foi um evento sui generis, facilitado pelas raízes Germânicas do povo alemão, alimentado pelas ideias de um império que reunisse o "povo ariano" em uma só nação e piorado pelas ideias de purificação da raça. Foi algo MUITO PARTICULAR de um POVO PARTICULAR. Em outras palavras, o povo que seguiu Hitler já tinha em seu ser a propensão PARTICULAR de seguir um ditador (melhor seria dizer Imperador).

Posso ser vista como radical e até desumana, mas a prova da generalização INDEVIDA dos teóricos inspirados por esta ativista pode ser vista nos resultados constatados hoje, no seio de uma crise mundial de Autoridade. E não é em relação só às figuras humanas que exercem a Autoridade que a crise ocorre. Ocorre também em relação às Leis, PARTICULARMENTE no Brasil, pela índole de nosso povo, que acolhe com facilidade tudo o que for FÁCIL, RÁPIDO, INSOSSO e BARATO.

As raízes da Autoridade

Indiscutível é citar que a primeira Autoridade que uma criança conhece, e que ficará gravada de forma indelével em sua memória, corresponde à figura do seu Pai, seja ele bom ou ruim, atuante ou omisso, rico ou pobre, carinhoso ou bruto. Não importa de que índole seja um Pai, ele será, para o resto da vida da pessoa, o exemplo de figura da qual se tem temor, à qual é preciso ter respeito.

Isto explica a crise atual de Autoridade. Vê-se claramente o surgimento bem cedo do conflito desta geração com a Autoridade. E a figura humana de Autoridade que se encontra mais em crise é a do professor. Professores estão sendo ameaçados e agredidos nas escolas, algo inaceitável. Existem mais "culpados" por esta crise, entre os quais podemos citar ...

A contribuição de Richard Sennet

Richard Sennet norteia suas ideias em torno da Sociologia. Sua abordagem aproxima os comportamentos daqueles que se observam em uma família.

Até nos filmes e seriados americanos de 10 anos para cá se observa a queda do mito, particularmente no ambiente corporativo, de que os empregados formam uma família. Uma vez que se quer fugir deste estereótipo, os teóricos disfarçaram a família na entidade abstrata de EQUIPE. E nesta EQUIPE, segundo Sennet, é preciso criar laços afetivos, para que os projetos tenham êxito.

Sennet fala de Autoridades legítimas e ilegítimas. Agora pensem num ambiente corporativo, que objetiva lucro, repleto de medidas de auditagem e de ouvidoria, que quer se manter como negócio, e vencer a concorrência, onde existem relações de afeto talvez 30 % familiares, ou seja, de tratamento mútuo como se fosse em família.

Existe o desejável, e existe a realidade. Nem empresas familiares são isentas de divergências nas relações entre sócios, sejam irmãos ou meio parentes. "Irmão desconhece irmão" dizia a música de Paulinho da Viola, mostrando que mesmo as associações familiares sofrem reveses e estão expostas a conflitos.

São dignas de nota suas contribuições teóricas para a construção de ambientes de trabalho produtivos.

Sua discussão sobre Autoridades legítimas e ilegítimas levaram a pensamentos que confundem a Autoridade pessoa com a Autoridade substantivo abstrato, personificada nas leis. Leis existem para ser obedecidas, até que sejam modificadas. Mas, como fruto destas polêmicas, observamos a deliberada desobediência às leis em nosso país. A Liderança por Autoridade, na pessoa de quem a exerce, está sendo questionada, como outra manifestação da crise geral de Autoridade. Esta, para ser aceita, não basta ser paternal, mas maternal.

Não se pode comparar a vida citadina com a rotina laboral em uma empresa. Empresas não são instituições democráticas. Seus regulamentos conduzem a atividade diária para produção, e não para entendimento de diferenças, para tolerância, para aceitação incondicional de incapacidades. A não produção não pode não é aceita. Existe a figura da punição, da demissão, da premiação e da promoção. Existe salário envolvido, existe lucro e também o conceito de sustentabilidade, justificação até plausível, pois sem ela todos perdem o emprego.

Subordinação

Até por interesse das organizações, como o próprio nome diz, a atividade na cadeia produtiva (estou sendo sobretudo técnica) precisa ser organizada, decomposta em tarefas,  funcionando na ordem correta, na hora correta, cada uma. Quem faz as tarefas tem uma característica de subordinação em relação a quem é cobrado no momento em que ocorre uma falha, que olha o processo "por cima", para que tudo aconteça corretamente. O trabalho pode até ser feito por equipes, mas cada uma tem que ter uma liderança, e os próprios líderes neste patamar de produção precisam ter um cabeça, que é um líder de nível HIERÁRQUICO acima, cuja responsabilidade é maior, e cada vez mais próxima daqueles que planejam tanto o processo produtivo quanto as metas a serem atingidas.

Obediência

Obediência não é um processo neste contexto. Obediência é atitude. Ela pertence ao terreno afeto à minha atividade corriqueira, e ela é que determina se a pessoa realmente vai participar com eficiência do processo produtivo exigido pela atividade empresarial. E este é o aspecto da Autoridade mais atacado nos nossos últimos tempos. Ninguém quer obedecer a outrem, e muito menos à lei. Até os altos dignitários da nossa nação já esqueceram que tem que obedecer à Lei. Esta está a seu serviço, e não à serviço da nação, é o que eles tomaram como sendo verdade, para justificar seus ganhos ilícitos.

Nas Escolas

E a Escola, berço dos primeiros comportamentos que serão exigidos nos empregos do ambiente empresarial, tem sido o palco de uma das maiores manifestações de insubordinação e desrespeito à Autoridade e desobediência explícita e declarada a estas.

É notório o ambiente hostil entre alunos e professores, pelos divulgadores de teorias que levam as pessoas e alunos a afirmarem que não gostam de receber ordens de ninguém, e que não gostam que a sua vontade seja questionada ou impedida.

Os alunos indisciplinados e com desprezo pelos estudos estão sendo enaltecidos pelos colegas. O importante é ser famoso nas redes sociais, nas brincadeiras e nas bagunças.

Conclusão

A sociedade está entrando em seu terreno mais sério de contradição e de autodestruição: o conflito e o desrespeito às autoridades. Está praticando a desobediência tanto como moda como por insegurança, incapacidade e pela falsa convicção de que não precisam de ninguém para mandar nela.

Pessoas estão procurando atividades solitárias, sem ninguém que as possa impedir de fazer as coisas como bem entendem, candidatos à solidão em sua velhice.

É o tempo do "eu me basto", "eu sou a minha própria lei". Os resultados poderemos observar no futuro, alias alguns já estão aí, em nosso meio político. Basta ler nos jornais.